O deputado federal Chiquinho Brazão (União Brasil-RJ) já desembolsou R$ 200 mil de verba da Câmara desde 2019 para compra de combustível em um único posto no Rio de Janeiro que fica a oito quilômetros de seu escritório político na capital fluminense. O dado consta na prestação de contas do parlamentar e foi divulgado em uma reportagem do jornal O Estado de São Paulo.
O dado apresentado acima poderia parecer uma informação como qualquer outra se não fosse o fato de que esse posto pertence a sócios de Brazão. Além disso, de acordo com o Estadão, há nada menos que outros sete postos entre o escritório do político, em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, e o estabelecimento, localizado no Jardim Sulacap, na mesma região da cidade.
O Posto Leiroz, local escolhido por Brazão para fazer os abastecimentos com recursos públicos nos últimos quatro anos, é de propriedade de Albano Gonçalves Marinho e Albano Lemos da Silva. Os dois são sócios do deputado em um outro posto de combustíveis, o Auto Posto 500, em Campo Grande, também na Zona Oeste da capital fluminense.
Além da distância não compensar a compra do combustível no posto dos sócios, o valor pago por litro também não pode ser usado como argumento para ignorar os outros concorrentes próximos do estabelecimento. De acordo com o Estadão, cada litro de gasolina comum é vendido a R$5,19 no posto Leiroz e o etanol sai a R$4,29. O valor é mais alto do que em um posto que fica a 250 metros de distância.
Procurado pelo Estadão, Brazão alegou que não tem como comprar em apenas um estabelecimento e ignorou o fato de que só utiliza o mesmo posto desde 2019. O veículo não conseguiu localizar os sócios do Posto Leiroz.
– O combustível que todos os deputados têm para rodar o estado todo. É assim que funciona. É o sistema. Não tem nada que proíba de você abastecer em qualquer posto – declarou o deputado.