Com mais de 500 mil habitantes em 18 municípios, a Mata Norte pernambucana é uma região de contrastes. Sua posição estratégica, entre o Agreste Setentrional, a RMR e a Paraíba, e sua riqueza histórica (do ciclo canavieiro ao polo automotivo de Goiana) deveriam catapultá-la ao desenvolvimento. No entanto, o que se vê é um potencial estrangulado por projetos políticos fragmentados, onde gestores preferem ilhas de poder a pontes de cooperação.
Enquanto o PRODEPE injeta recursos em outras regiões, a Mata Norte recebe míseros 5% dos investimentos estaduais, segundo a CONDEPE/FIDEM. O resultado? Empresas sistemistas, que poderiam alimentar o polo automotivo de Goiana, migram para a RMR ou até João Pessoa (PB), levando consigo empregos e receita.
A crise logística é outro sintoma da miopia administrativa. A ausência de um Centro de Tratamento de Resíduos (CTR) na região força os municípios a gastarem R$ 2 milhões/ano para transportar lixo até Igarassu, conforme a AMUPE. Um absurdo financeiro e ambiental, enquanto a reciclagem, fonte de renda e sustentabilidade, permanece ignorada.
A Mata Norte não é apenas canaviais e fábricas. Seu patrimônio imaterial, maracatus, cavalo-marinho, caboclinhos , é um tesouro subexplorado. Enquanto o Recife capitaliza o Frevo e Olinda vive de seus bonecos gigantes, a região assiste passivamente à erosão de suas tradições.
O COMANAS, criado para discutir desafios comuns, está morto há anos. Sem ele, prefeitos repetem erros antigos: PRODEPE usado para projetos isolados, não coletivos; incentivos fiscais negociados individualmente, não regionalmente; e o lixo tratado como despesa, não como investimento.
Enquanto isso, exemplos como o Consórcio Nordeste (que atraiu R$ 1 bilhão em investimentos via cooperação) mostram que a união não é utopia, é estratégia.
A Mata Norte está diante de uma escolha: reerguer o COMANAS ou enterrar de vez seu potencial. A região não precisa de salvadores, precisa de gestores que troquem discursos por ações. A pergunta que nos fazemos é: qual dos atuais prefeitos será o líder visionário que transformará a fragmentação em união estratégica?
*Lucas Honorato é acadêmico de Direito, especialista em Comunicação e Marketing Político, e coordenador de campanhas eleitorais. Ex-líder do Movimento Condado Livre, dedica-se ao engajamento cívico e ao fortalecimento do debate público.
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