Um estudo da Mar Asset Management aponta que o crescimento da população evangélica no Brasil pode dificultar a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2026. Segundo a análise, os evangélicos, que representavam 32,1% da população em 2022, chegarão a 35,8% no ano da próxima eleição, um aumento de 3,7 pontos percentuais. Esse crescimento, de acordo com os pesquisadores, poderia ter alterado o resultado do último pleito caso já tivesse ocorrido, reduzindo o percentual de votos de Lula de 50,9% para 49,8%, o que poderia levar a um desfecho diferente.
A pesquisa identificou que, historicamente, o eleitorado evangélico apresenta maior resistência ao PT e tende a apoiar candidatos alinhados com valores conservadores e da direita. A relação entre religião e política ficou ainda mais evidente após 2018, quando Jair Bolsonaro (PL) conquistou grande apoio entre os evangélicos. Antes disso, a distribuição de votos entre o PT e seus adversários era mais equilibrada. Porém, na eleição de 2018, apenas 31% dos evangélicos votaram no candidato petista, percentual que se repetiu com Lula em 2022.
O estudo utilizou dados do IBGE e informações sobre a densidade de templos evangélicos no Brasil para embasar a análise. Segundo os pesquisadores, quanto maior o número de igrejas por 100 mil habitantes, menor a votação do PT na região. Atualmente, o Brasil possui cerca de 140 mil templos evangélicos, e a cada ano, aproximadamente 5 mil novas igrejas são abertas.
Além do impacto religioso no cenário eleitoral, o levantamento apontou uma migração geral do eleitorado para a direita nos últimos anos. Enquanto, em 2012, partidos desse espectro político recebiam menos de 20% dos votos, em 2024 essa fatia cresceu para 43%. No mesmo período, a esquerda viu sua participação despencar de 37,8% para 20,5%. Essa mudança de perfil, somada ao crescimento dos evangélicos, pode ser um dos desafios para Lula caso tente a reeleição em 2026.
*Com informações do Pleno News
Foto: Ricardo Stuckert / PT