A diretora das Heroínas de Tejucupapo, Dona Luzia Maria, fez um apelo ao prefeito de Goiana, Eduardo Batista, e ao secretário de Turismo e Cultura, Alexandre Carvalho, para que intervenham com urgência na situação do Monte das Trincheiras, local histórico onde acontece a tradicional encenação da batalha das Heroínas. Em um vídeo gravado diretamente do espaço, Dona Luzia denunciou que o terreno, pertencente à Fazenda Megaó, está sendo utilizado para o plantio de cana-de-açúcar e que o acesso ao local tem sido dificultado.
No vídeo, a diretora relembra que a desapropriação do Monte das Trincheiras havia sido prometida pelo ex-prefeito Eduardo Honório, mas não foi concretizada devido à falta de pagamento ao proprietário do terreno, o economista e empresário Ricardo Essinger, ex-presidente da Federação das Indústrias de Pernambuco (Fiepe). Segundo ela, a ausência dessa regularização coloca em risco a realização da 32ª encenação da batalha, prevista para este ano. “Eu tive que vir a pé porque a porteira não está mais abrindo. O rapaz me disse que foi proibido tudo. Faço um apelo a você, Batista, para que essa desapropriação aconteça o mais rápido possível, porque isso aqui representa Goiana, Pernambuco e o Brasil”, declarou Dona Luzia.
Fundado em 1993 por Dona Luzia Maria da Silva, o Teatro das Heroínas de Tejucupapo é o segundo maior teatro ao ar livre de Pernambuco e foi reconhecido como Patrimônio Vivo do Estado. A encenação retrata a histórica resistência das mulheres do vilarejo de Tejucupapo contra a invasão holandesa de 1646. Segundo a tradição, aproveitando a ausência dos homens que haviam saído para vender seus pescados na capital, os invasores tentaram saquear o povoado. No entanto, as mulheres, lideradas por Maria Camarão, Maria Quitéria, Maria Clara e Maria Joaquina, organizaram uma defesa improvisada utilizando paus, pedras, chuços e até água fervente com pimenta, conseguindo expulsar os soldados inimigos e garantir a vitória.
Com a aproximação do evento, a preocupação de Dona Luzia se intensifica. A limpeza do terreno e a garantia de acesso ao espaço são essenciais para a continuidade da encenação, que há mais de três décadas mantém viva essa parte fundamental da história de Goiana e de Pernambuco. Agora, a comunidade aguarda uma resposta do poder público para evitar que o impasse comprometa a realização do espetáculo em 2025.