Após a repercussão sobre a possível inviabilização da tradicional encenação das Heroínas de Tejucupapo, a Associação das Heroínas esclareceu, por meio de nota, que a 32ª edição do evento ocorrerá normalmente. A entidade reforçou que o apelo feito por sua diretora, Dona Luzia Maria, teve como objetivo apenas solicitar a desapropriação da área onde acontece o espetáculo e não significa que a realização do evento esteja ameaçada.
A polêmica surgiu após a divulgação de um vídeo gravado por Dona Luzia no Monte das Trincheiras, nesta quarta-feira, 12, local histórico onde acontece a encenação, em que ela denunciava que o terreno está sendo utilizado para o plantio de cana-de-açúcar e que o acesso ao espaço tem sido dificultado. No vídeo, a diretora mencionou que, ao tentar chegar ao local, foi impedida de passar de carro e precisou seguir a pé até o ponto da encenação. Ela também relembrou que a desapropriação do terreno havia sido prometida pelo ex-prefeito Eduardo Honório, mas não foi concretizada devido à falta de pagamento ao proprietário, o empresário Ricardo Essinger.
Mesmo garantindo a realização da encenação, a Associação das Heroínas reforçou a necessidade urgente da desapropriação do Monte das Trincheiras para assegurar a preservação e o livre acesso ao local. O evento, fundado em 1993 por Dona Luzia Maria, é reconhecido como Patrimônio Vivo do Estado e se consolidou como o segundo maior teatro ao ar livre de Pernambuco.
A encenação relembra um dos episódios mais marcantes da resistência pernambucana contra a ocupação holandesa, ocorrido em 1646. Com a proximidade do evento, a expectativa agora recai sobre uma possível ação da Prefeitura de Goiana para solucionar a questão fundiária e garantir que, no futuro, a realização da encenação ocorra sem obstáculos.
Foto: Arquivo FolhaPE