O presidente da França, Emmanuel Macron, pediu que as empresas suspendam investimentos nos Estados Unidos depois que o presidente Donald Trump anunciou tarifas recíprocas sobre a União Europeia e outras regiões.
A China já teria tomado medidas para restringir investimento de empresas locais nos Estados Unidos, segundo fontes.
— Não faz sentido que as empresas invistam lá enquanto os EUA atacam a Europa — disse Macron, antes de participar de uma reunião com representantes de grupos industriais afetados pelas tarifas.
— Qual seria a mensagem de termos grandes empresas europeias investindo bilhões na economia americana ao mesmo tempo em que eles nos atingem? — questionou Macron. — Precisamos ter solidariedade coletiva.
Falando da Casa Branca na quarta-feira, Trump anunciou uma tarifa de 20% sobre as importações da UE, que entrará em vigor em 9 de abril.
Ele repetiu sua afirmação de que os 27 estados-membros “nos exploram” e chamou a situação de “patética”. Consulte abaixo, pelo nome do país, a lista completa.
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O presidente americano citou a empresa marítima francesa CMA CGM SA e a montadora Stellantis como companhias que recentemente investiram nos EUA graças a ele.
No mês passado, o gigante francês do transporte marítimo anunciou que investiria US$ 20 bilhões nos EUA para desenvolver infraestrutura marítima.
Em 2023, o investimento direto francês nos EUA atingiu US$ 370 bilhões (6,9% do total de investimento estrangeiro direto nos EUA), um aumento de 1% em um ano, de acordo com os dados mais recentes publicados pelo Escritório de Análise Econômica dos EUA.
O presidente francês estava reunido com representantes de setores empresariais atingidos pelas tarifas de importação, incluindo o CEO da Airbus, Guillaume Faury; o CEO da Safran SA, Olivier Andries; e Rodolphe Saadé, da CMA CGM SA.
Mais cedo, a porta-voz do governo de Macron, Sophie Primas, afirmou que Paris estava pressionando para que a União Europeia retaliasse contra as empresas de tecnologia dos EUA e expandisse as medidas para o setor de serviços.
Mecanismo anticoerção
O presidente francês também disse que a União Europeia não deve hesitar em dar uma resposta forte às tarifas americanas.
Ele sugeriu a possibilidade de usar o mecanismo anticoerção da UE e atingir tanto os serviços digitais dos EUA quanto os “mecanismos de financiamento da economia americana”.
A medida anticoerção da UE é sua ferramenta comercial mais poderosa, projetada para retaliar contra países que utilizam medidas econômicas e comerciais de forma coercitiva.
Isso marcaria uma escalada que poderia agravar as tensões, após o amplo anúncio de tarifas feito por Trump, que afirmou que a medida ajudaria a trazer empregos para os EUA e impulsionar o crescimento.
Macron insistiu que qualquer resposta da UE deve ser coordenada no nível do bloco, acrescentando que conversou com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, na manhã desta quinta-feira.
Fonte: Folha de Pernambuco./Foto: Thomas Padil/a POOL/AFP.