Reportagem da Folha de S.Paulo revelou que o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), comprou uma mansão de R$ 10 milhões em Brasília no dia 31 de janeiro, um dia antes de deixar o comando da Casa. Segundo o jornal, Lira deu R$ 3 milhões de entrada e financiou os outros R$ 7 milhões com o Banco de Brasília (BRB), instituição controlada pelo governo do Distrito Federal.
Na última declaração ao TSE, em 2022, Lira informou ter patrimônio de R$ 5,9 milhões. Ao ser questionado, afirmou que a compra é compatível com sua renda acumulada em mais de 30 anos de atividade rural, além de ser uma transação legítima e transparente. O deputado também declarou possuir duas empresas e quatro propriedades rurais, além de exercer o mandato parlamentar, com salário bruto de R$ 46 mil.
Simulações indicam que o valor da parcela mensal de um financiamento de R$ 7 milhões em 25 anos superaria R$ 100 mil, exigindo renda de cerca de R$ 270 mil por mês. O BRB disse que não comenta casos específicos, mas que todas as operações seguem regras do mercado e consideram comprovação de renda.
A mansão, com 833 m² de terreno, fica no Lago Sul, bairro nobre da capital federal, e foi comprada de Leonardo Valverde, empresário com ligações políticas, incluindo amizade com a vice-governadora do DF, Celina Leão (PP), aliada de Lira. O imóvel havia sido adquirido por Valverde em 2011 por R$ 3,6 milhões. A negociação tem gerado repercussão e levantado dúvidas sobre a origem dos recursos e a capacidade de pagamento.
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil