O líder do PT na Câmara, deputado Lindbergh Farias (RJ), subiu o tom nesta quarta-feira (25) contra a decisão do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), de pautar o projeto que revoga o aumento do IOF em uma semana de quórum baixo devido às festas juninas. Para Lindbergh, a movimentação é uma manobra política que fere o diálogo e coloca em risco o equilíbrio fiscal do governo federal.
Segundo o petista, a escolha do deputado Coronel Chrisóstomo (PL-RO), aliado do bolsonarismo, como relator da matéria é um gesto provocativo. “Designar o Coronel Chrisóstomo como relator, um bolsonarista histriônico, chega a parecer uma provocação desnecessária. Não existe espaço de diálogo algum”, afirmou.
A decisão de Motta foi anunciada de surpresa, em uma postagem nas redes sociais às 23h35 da terça-feira, pegando até o Planalto desprevenido. Para Lindbergh, a condução da pauta nesse contexto foi um “grave erro”: “É uma temeridade pautar um tema de tamanha importância sem que haja quórum em Brasília. Fico me perguntando o que motivou essa convocação noturna”.
O IOF, segundo o parlamentar, é peça-chave no esforço do governo para fechar as contas públicas. “O governo precisava de R$ 50 bilhões, conseguiu R$ 30 bilhões e contou com o IOF para os R$ 20 bilhões restantes. Agora, se derruba isso, de onde vão tirar os R$ 12 bilhões?”, questionou.
Lindbergh também alertou para o que vê como uma antecipação indevida do debate eleitoral de 2026. “Essa marcação de posição contra o governo, nesse momento, é muito ruim. Assim como é ruim antecipar o debate sobre 2026. Ele deve ser tratado em 2026”, declarou.
Por fim, o líder petista acusou setores do Congresso de tentarem minar o governo Lula: “Nós não vamos aceitar que tentem paralisar o governo do presidente Lula. Isso não é oposição, é sabotagem”.
Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados.
