Fora da relatoria da CPI do INSS, que deve ser entregue a um parlamentar do Centrão com perfil moderado, o PL já traça uma estratégia alternativa para tentar minar o governo Lula: transformar a comissão em palco de embate digital. A sigla quer escalar deputados com forte presença nas redes sociais, apostando em vídeos com cortes estrategicamente montados para viralizar críticas à gestão petista.
A narrativa do partido é clara: sem controle do relatório final, o foco será dominar o ambiente simbólico da CPI, levando o debate para os milhões de seguidores que acompanham seus parlamentares mais midiáticos. Os nomes cotados para essa função incluem Nikolas Ferreira (MG), com quase 18 milhões de seguidores no Instagram; Bia Kicis (DF), com mais de 2 milhões; Marco Feliciano (SP), com mais de 3 milhões; e André Fernandes (CE), que ultrapassa os 2,5 milhões.
A escolha dos membros deve levar em conta justamente esse alcance digital. “Se não vamos relatar, vamos controlar a narrativa”, disse o líder do partido na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), que cogita selecionar os nomes com base na audiência online. Ele avalia que, sem esse recurso, a CPI nasceria “morta”.
A disputa interna pelas cinco vagas (três titulares e duas suplentes, já que uma das suplências será cedida ao Partido Novo) é acirrada: 16 parlamentares do PL já se colocaram à disposição. Duas vagas já são consideradas certas: as dos deputados Coronel Fernanda (MT) e Coronel Chrisóstomo (RO), autores do requerimento que criou a comissão.
A decisão de indicar um deputado “equilibrado” para a relatoria, tomada pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), frustrou o PL, que vê na CPI uma oportunidade de amplificar denúncias contra o governo, especialmente diante das fraudes que afetaram aposentados.
O histórico recente reforça a estratégia: em janeiro, um vídeo de Nikolas Ferreira criticando medidas da Receita Federal sobre o monitoramento de transações financeiras viralizou, gerando desinformação sobre uma suposta taxação do Pix. A repercussão foi tão grande — mais de 100 milhões de visualizações — que obrigou o presidente Lula a revogar a normativa após reunião emergencial com ministros.
Enquanto isso, partidos da base do governo, como o PP e o PSD, escalaram nomes de perfil oposicionista para a comissão. O PSD indicou Sidney Leite (AM), autor de projeto que responde diretamente às fraudes no INSS. O PP, no Senado, terá como titulares Esperidião Amin (SC) e Luiz Carlos Heinze (RS), ambos críticos do governo.
Pelo lado petista, a federação PT-PCdoB-PV já definiu o nome de Paulo Pimenta (RS) como um dos titulares. Rogério Correia (MG) é outro cotado, e Orlando Silva (PCdoB-SP) ocupará uma das suplências.
Com a comissão prestes a ser instalada, o que se desenha é uma disputa não apenas por votos e posições dentro do Congresso, mas por atenção, engajamento e influência na opinião pública — com a arena digital cada vez mais central no jogo político.
Foto: Divulgação PL.
