Um britânico de 39 anos foi preso no último sábado (21) após tentar encenar um falso casamento com uma menina de apenas 9 anos na Disneyland Paris. Jacky Jhaj, já conhecido das autoridades do Reino Unido por crimes relacionados a abuso de menores, chocou a opinião pública ao protagonizar mais um episódio absurdo e perturbador — desta vez, em um dos lugares mais simbólicos da infância no mundo.
A farsa foi descoberta quando funcionários do parque notaram que a “noiva” da cerimônia, que estava prestes a acontecer em uma das áreas reservadas do complexo, era uma criança. Imediatamente, o evento foi interrompido antes mesmo da abertura ao público. Segundo o Ministério Público francês, a cerimônia era parte de uma encenação voltada às redes sociais, com o objetivo de criar conteúdo supostamente “chocante” e “viralisável”.
O plano incluiu o aluguel fraudulento do espaço da Disney, a contratação de cerca de 100 figurantes para simular o evento e a utilização de documentos falsos para viabilizar toda a produção. Jhaj teria desembolsado cerca de 130 mil euros — o equivalente a R$ 842 mil — para dar aparência de legitimidade à encenação. Entre as acusações que agora enfrenta, estão fraude, lavagem de dinheiro, roubo de identidade e abuso de confiança.
A criança envolvida, uma menina ucraniana, chegou à França dois dias antes do falso casamento. Segundo as autoridades, ela não sofreu violência física nem foi forçada a participar, mas o simples envolvimento em um espetáculo tão grotesco levanta questionamentos profundos sobre o entorno da vítima. Sua mãe, uma ucraniana de 41 anos, foi presa, assim como dois cidadãos da Letônia que teriam colaborado com a farsa.
Jhaj não é estranho aos escândalos. Em 2023, ele já havia ganhado notoriedade ao organizar uma falsa estreia de filme em Londres, com crianças contratadas para fingirem ser fãs, além de ter sido flagrado nu em frente a um caminhão da BBC, comportamento que já revelava um padrão de ações exibicionistas e profundamente perturbadoras.
O caso está agora sob investigação do tribunal de Meaux, na França, que tenta desvendar todas as camadas dessa encenação macabra. Mais do que um crime isolado, o episódio expõe os riscos da banalização da infância e o quanto o espetáculo digital pode ser usado como escudo para práticas perigosas e criminosas.
