Nesta quinta-feira (26), o Brasil celebra o Dia Nacional do Diabetes, uma data voltada à conscientização sobre uma das doenças crônicas que mais crescem no mundo. Mais do que lembrar quem já convive com a condição, o objetivo é alertar sobre prevenção, diagnóstico precoce e controle — especialmente em um país onde o consumo de açúcar ultrapassa em muito o recomendado pelos especialistas.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o brasileiro consome, em média, 30 quilos de açúcar por ano, o que equivale a cerca de 18 colheres de chá por dia. Para manter uma dieta saudável, o ideal seria limitar esse consumo a no máximo 50 gramas por dia, o que representa 18,2 quilos ao ano — quase a metade da média nacional.
A nutricionista Sáskia Ribeiro, que atua no centro clínico do Órion Complex, em Goiânia (GO), explica que o açúcar em excesso não é o único vilão, mas é um dos principais responsáveis por quadros de resistência à insulina, obesidade, doenças do fígado e o desenvolvimento do diabetes tipo 2. “Especialmente quando leva ao acúmulo de gordura visceral, aquele tipo de gordura que envolve os órgãos internos”, diz.
E engana-se quem pensa que o perigo mora apenas nos doces. Refrigerantes, bolos e sobremesas são, de fato, campeões de açúcar adicionado, mas muitos alimentos salgados industrializados também contêm grandes quantidades da substância — ainda que ela nem sempre apareça no rótulo com o nome “açúcar”. “Molho de tomate, macarrão instantâneo, refeições congeladas, ketchup, maionese, patês… todos podem conter açúcar. E ele pode aparecer como sacarose, glicose, xarope de milho, dextrose, maltodextrina, agave, entre outros nomes”, alerta Sáskia.
Para reduzir o consumo sem sofrimento, a nutricionista recomenda pequenas mudanças de hábito, como cortar refrigerantes, adoçar menos o café, evitar colocar açúcar em frutas e dar preferência à comida feita em casa. “O paladar se adapta. O que parece sem graça hoje pode se tornar o padrão de sabor de amanhã”, afirma. Outro conselho importante é “descascar mais e desembalar menos”, priorizando alimentos in natura e minimamente processados.
Ela reforça ainda que o histórico familiar de diabetes é relevante, mas não é sentença. “A genética tem influência, sim, mas o estilo de vida é determinante. Tenho pacientes com histórico familiar que nunca desenvolveram a doença porque cuidam da alimentação, se exercitam, dormem bem e fazem acompanhamento médico regular”, ressalta.
Neste Dia Nacional do Diabetes, o recado é claro: o açúcar, quando consumido em excesso, pode ser um gatilho silencioso para doenças graves. Mas com informação, escolhas conscientes e uma rotina mais equilibrada, é possível mudar esse cenário — um hábito de cada vez.
