A Cúpula dos Brics, marcada para os dias 6 e 7 de julho no Rio de Janeiro, terá ausências de peso: os presidentes da China, Xi Jinping, e da Rússia, Vladimir Putin, não participarão presencialmente do evento. O encontro, que reúne algumas das maiores potências emergentes do planeta, será realizado pela primeira vez sem a presença física de dois dos líderes mais influentes do bloco.
A ausência de Xi Jinping surpreende e tem um peso simbólico significativo. É a primeira vez que o presidente chinês deixará de comparecer a uma cúpula do Brics, grupo do qual a China é membro fundador e principal motor econômico. A decisão foi comunicada ao Itamaraty de forma discreta e será compensada com a presença do primeiro-ministro chinês, Li Qiang, que representará a delegação do país asiático.
A não vinda de Xi se soma à já esperada ausência de Vladimir Putin, presidente da Rússia. Por conta do mandado de prisão expedido pelo Tribunal Penal Internacional – que o acusa de crimes de guerra relacionados à invasão da Ucrânia – Putin optou por não vir ao Brasil, país que integra a corte e que, por isso, poderia ser legalmente instado a cumprir a ordem internacional. O Kremlin confirmou que o líder russo participará da cúpula por videoconferência, sendo representado presencialmente pelo chanceler Serguei Lavrov.
Embora autoridades brasileiras mencionem um possível conflito de agendas no caso de Xi Jinping, bastidores diplomáticos revelam que o presidente Lula e sua equipe vinham trabalhando ativamente para garantir a presença do líder chinês. A recente viagem do presidente brasileiro a Pequim, em maio, tinha como um de seus objetivos demonstrar prestígio e convidar diretamente o mandatário a comparecer ao Rio. Xi, no entanto, optou por não retribuir o gesto, apesar de já ter estado recentemente no Brasil e no Rio de Janeiro para eventos do G20 e visitas de Estado.
A ausência dos dois presidentes mais emblemáticos do bloco altera o peso político da cúpula e pode reconfigurar as dinâmicas do encontro. Esperava-se que o evento servisse como uma vitrine de reaproximação entre o Brasil e suas maiores parcerias no grupo, especialmente com a China, em projetos estratégicos como a ferrovia bioceânica. Com a presença esvaziada no alto escalão, a cúpula tende a focar mais em aspectos técnicos e nos representantes diplomáticos, perdendo força na construção de gestos políticos e alianças de alto impacto.
Ainda assim, a reunião do Brics permanece como um espaço de relevância para a articulação entre países em desenvolvimento. Mas, sem Xi e Putin, o que era para ser um palco de demonstração de unidade e protagonismo global, pode acabar marcado pela ausência de suas figuras mais influentes.
*Com informações da Agência AE
