O cenário político entre Brasil e Estados Unidos ganhou novos contornos nesta semana. O deputado americano Christopher H. Smith, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Representantes, enviou uma carta ao secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, solicitando sanções urgentes contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.
Smith acusa o magistrado brasileiro de liderar uma repressão transnacional contra cidadãos brasileiros que vivem nos Estados Unidos, especialmente opositores do atual governo e críticos de decisões judiciais tomadas no Brasil. Segundo o congressista, há evidências de que mecanismos internacionais como a Interpol estariam sendo utilizados de forma indevida para atingir esses alvos.
Na carta, o parlamentar afirma que autoridades brasileiras teriam tentado pressionar diretamente órgãos de segurança americanos, contornando os canais diplomáticos usuais. Além disso, ele denuncia que empresas americanas estariam sendo coagidas a restringir conteúdos com base em decisões judiciais brasileiras, o que violaria, segundo ele, a Primeira Emenda da Constituição dos EUA — que garante a liberdade de expressão.
O caso ganhou força após o depoimento do jornalista brasileiro Paulo Figueiredo à Comissão de Direitos Humanos, realizado na última terça-feira. Durante a audiência, Figueiredo alegou ser vítima de perseguição política por parte das autoridades brasileiras. O deputado Smith classificou a situação como “um sinal preocupante de colapso institucional”.
A movimentação é mais um capítulo das tensões envolvendo o Judiciário brasileiro e setores conservadores internacionais. No Brasil, o ministro Alexandre de Moraes é um dos principais nomes à frente dos inquéritos que investigam ataques à democracia, inclusive o atentado de 8 de janeiro de 2023.
Embora ainda não haja resposta oficial por parte do Departamento de Estado americano, a iniciativa do congressista acende um alerta sobre o grau de polarização que a política brasileira vem projetando no exterior.
*As informações são da coluna de Paulo Cappelli, do Metrópoles
