Em mais uma coletiva carregada de provocações e promessas de endurecimento, o ex-presidente Donald Trump reafirmou nesta sexta-feira (27) sua disposição em elevar tarifas a países que, segundo ele, “se aproveitam dos Estados Unidos”. Com o tom já conhecido de campanha, Trump voltou a se posicionar como um defensor implacável dos interesses americanos e prometeu proteger a economia interna a qualquer custo — mesmo que isso signifique tensões com aliados históricos.
A Espanha foi citada nominalmente por Trump ao cobrar maior compromisso com os investimentos militares exigidos pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Segundo ele, é hora de “todos pagarem a sua parte”. Sem perder a oportunidade de exaltar sua gestão econômica, Trump afirmou que as tarifas vêm gerando “muito dinheiro” e estimulando a volta de empresas e capital para solo americano.
As declarações foram além do comércio exterior. Em tom desafiador, Trump pediu que seus projetos econômicos, especialmente sua reforma tributária, sejam aprovados levando em conta os resultados que, segundo ele, já foram alcançados. Aproveitou ainda para mirar os democratas, acusando-os de quererem “destruir” programas sociais como o Medicare e o Medicaid — e prometeu, sem detalhes, “fortalecê-los”.
Curiosamente, Trump também falou sobre bitcoin, ainda que se diga não investidor. Ele afirmou que quer ver os EUA como líderes globais em criptoativos e acredita que moedas digitais podem aliviar a pressão sobre o dólar. Uma guinada incomum, vinda de alguém que no passado já demonstrou ceticismo em relação ao setor.
No plano internacional, o ex-presidente se autoproclamou mais uma vez como pacificador global. Citou seu envolvimento direto no cessar-fogo entre Congo e Ruanda e prometeu formalizar um acordo entre os dois países. Em outro momento da coletiva, revelou que teria ameaçado isolar economicamente Índia e Paquistão caso entrassem em conflito armado. “Poderia ter sido um conflito nuclear”, disse, afirmando que ambos os países recuaram após sua suposta intervenção.
Internamente, Trump também não deixou de lado as questões ligadas à imigração. Ao comentar os protestos crescentes na Califórnia, mirou no governador Gavin Newsom, a quem acusou de não ter controle do estado. “Eles não têm um governador lá”, disse, alegando que a situação só não saiu do controle por conta da presença da Guarda Nacional. Chegou a sugerir que teria o direito de usar força militar ainda maior, caso julgasse necessário.
A coletiva foi mais uma amostra da retórica agressiva e polarizadora de Trump, que segue em campanha mesmo fora da Casa Branca, lançando ataques, prometendo força e, acima de tudo, se colocando como o único capaz de “salvar” os Estados Unidos — nos moldes de sua própria narrativa.
*Com informações da Agência AE
