A tensão entre o Executivo e o Congresso Nacional ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira (2), quando o líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), respondeu com dureza às declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a derrubada do decreto que aumentava as alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).
Em entrevista à TV Bahia, Lula disse que, sem recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF), sua capacidade de governar estaria comprometida diante da resistência do Congresso. “Se eu não entrar com recurso no Poder Judiciário, se eu não for à Suprema Corte… ou seja, eu não governo mais o país, cara. Cada macaco no seu galho. Ele [Congresso] legisla, eu governo”, declarou o presidente.
A fala provocou reação imediata do deputado Sóstenes, que considerou a declaração “infeliz” e acusou o governo de explorar o contribuinte. “A declaração de ‘cada macaco no seu galho’ é infeliz. Ele quer usar o zoológico para falar de política e, na verdade, o que o presidente e o governo atual estão sendo é sangue-suga do povo brasileiro”, disse.
Segundo o parlamentar, o governo estaria tentando mascarar uma política de aumento de impostos com o discurso de justiça social. “O animal preferido do PT e do governo é o sangue-suga, que não deixa o bolso dos brasileiros em paz”, ironizou.
A crítica do líder do PL ocorre no contexto da decisão do Palácio do Planalto de acionar a Advocacia-Geral da União (AGU) para apresentar uma ação no STF com o objetivo de reverter a decisão legislativa que barrou o reajuste do IOF. O embate reacende o debate sobre os limites entre os poderes, a autonomia do Legislativo e a estratégia do Executivo para implementar sua agenda econômica.
A controvérsia sobre o IOF tem sido usada pelo governo como símbolo da resistência à proposta de “justiça tributária”, com ênfase na taxação dos mais ricos, bancos e casas de apostas. No entanto, a movimentação do Executivo também tem provocado reações negativas no Congresso, onde parlamentares acusam o Planalto de tentar governar por decreto, sem diálogo político suficiente.
O impasse reforça o clima de desconfiança entre os Poderes e levanta questionamentos sobre os métodos adotados tanto pelo governo quanto pela oposição no debate fiscal.
