A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, manifestou apoio público ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), após uma onda de críticas que circulou nas redes sociais nos últimos dias. Para a ministra, os ataques pessoais contra o parlamentar ultrapassam os limites do debate democrático.
“Debate, divergência e disputa política fazem parte da democracia. Mas isso não autoriza ataques pessoais e desqualificados como os que estão sendo feitos contra Hugo Motta”, afirmou Gleisi nesta quarta-feira (2), em resposta à escalada de tensões entre o Planalto e o Congresso Nacional.
A declaração da ministra ocorre em meio ao acirramento da disputa política envolvendo o decreto presidencial que elevava o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). A medida foi derrubada pelo Legislativo, o que gerou forte reação do governo e de parlamentares da base aliada, que passaram a acusar o Congresso de beneficiar os mais ricos e travar iniciativas que visam à “justiça tributária”.
A retórica governista se intensificou nas redes sociais, com parlamentares e apoiadores do Executivo se referindo a Hugo Motta como “inimigo do povo” e “traidor”, após sua articulação no Parlamento para barrar o decreto de Lula. A ofensiva digital foi interpretada como parte de uma estratégia do Planalto para reforçar a narrativa de que bilionários, bancos e empresas de apostas — os chamados “BBB” — resistem à taxação justa.
Gleisi, no entanto, adotou um tom de moderação, em um possível gesto de reaproximação institucional. Sua manifestação contrasta com o alinhamento adotado por outros ministros e líderes da base, que intensificaram o discurso de confronto, mesmo diante da possibilidade de desgaste com o Congresso.
Hugo Motta, por sua vez, respondeu com firmeza. Em vídeo publicado nas redes, o deputado alertou para os riscos de uma retórica divisionista: “Quem alimenta o nós contra eles acaba governando contra todos”, declarou.
A tensão em torno do IOF expõe fissuras na relação entre Executivo e Legislativo, em especial no momento em que o governo tenta emplacar uma agenda econômica com forte apelo popular, mirando as eleições de 2026. A defesa pública de Gleisi pode indicar uma tentativa do governo de conter danos e preservar canais de diálogo com o Parlamento.
*Com informações da Agência AE
