Durante as celebrações da independência da Bahia, nesta quarta-feira (2), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chamou atenção ao erguer um cartaz que pedia a “taxação dos super ricos”. Ao lado da primeira-dama, Janja, e do governador baiano Jerônimo Rodrigues (PT), Lula compartilhou a imagem do ato em suas redes sociais com a legenda: “Mais justiça tributária e menos desigualdade. É sobre isso.”
A manifestação visual reforça a estratégia retórica do governo federal, que vem apostando na oposição entre pobres e ricos para pautar o debate tributário. Nos bastidores, o gesto é visto como parte da construção de narrativa para as eleições de 2026. O discurso tem como base a defesa de maior tributação sobre bilionários, bancos e casas de apostas — grupo apelidado de “BBB” por integrantes do Partido dos Trabalhadores.
A iniciativa ganhou apoio de nomes da base aliada, como os ministros Luiz Marinho (Trabalho) e Anielle Franco (Igualdade Racial), além do deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP). Todos endossaram a postagem e a agenda de “justiça tributária”.
O presidente tem feito críticas frequentes ao que chama de “privilégios fiscais” mantidos em favor dos mais ricos, especialmente após a derrubada, pela Câmara dos Deputados, do decreto que alterava as alíquotas do IOF. A medida foi interpretada por aliados do Planalto como uma derrota legislativa e alimentou o embate institucional.
“Queremos apenas diminuir os privilégios de alguns para dar um pouco de direito aos outros”, declarou Lula recentemente durante o lançamento do Plano Safra, em linha com a campanha que vem sendo difundida pelo PT.
Por outro lado, a reação do Congresso foi imediata. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), rebateu as críticas em vídeo publicado nas redes sociais. “Quem alimenta o nós contra eles acaba governando contra todos. A polarização política no Brasil tem cansado muita gente, e agora querem criar a polarização social”, afirmou.
O embate reflete uma disputa narrativa mais ampla sobre quem deve arcar com a conta tributária no país e qual modelo de justiça fiscal será prioritário nos próximos anos. Enquanto o governo insiste na redistribuição como caminho para enfrentar a desigualdade, parte do Legislativo acusa o Planalto de tensionar as instituições e de promover divisões ideológicas com fins eleitorais.
*Com informações AE
