O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou nesta quarta-feira (2) que o Hamas será eliminado da Faixa de Gaza e garantiu que todos os reféns ainda sob poder do grupo serão libertados. A declaração foi dada durante uma visita a uma instalação de energia na cidade de Ascalon, no sul de Israel, e veio horas após o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar que Israel teria aceitado um cessar-fogo de 60 dias em troca de libertações parciais de reféns.
“Não haverá Hamas. Acabou. Vamos libertar todos os nossos reféns”, afirmou Netanyahu, sem mencionar diretamente o suposto acordo ou entrar em detalhes sobre prazos ou condições. A fala contrasta com o anúncio feito por Trump, que divulgou a existência de um plano envolvendo a interrupção temporária das ofensivas israelenses em troca da liberação de dez reféns vivos e dos corpos de outros 15.
Sem confirmar ou negar a negociação, Netanyahu endureceu o tom ao classificar como “absurdo” o que chamou de tentativa de conciliar dois objetivos opostos: a destruição total do Hamas e o retorno imediato dos reféns. “Vamos concluir juntos. Nós os eliminaremos completamente”, declarou.
Enquanto isso, o impasse entre o governo israelense e o grupo palestino permanece. Segundo a imprensa internacional, o Hamas está avaliando a proposta mediada por Catar e Egito, mas insiste que qualquer acordo deve incluir a retirada completa das tropas israelenses da Faixa de Gaza e o fim definitivo da ofensiva militar, além do restabelecimento da ajuda humanitária.
Atualmente, cerca de 50 reféns seguem em poder do Hamas, mais de um ano e meio após o início do atual conflito. Grande parte das famílias dos sequestrados demonstra ceticismo em relação à estratégia exclusivamente militar adotada por Tel Aviv e pressiona por um acordo que priorize a vida dos detidos.
Internamente, Netanyahu também enfrenta tensões crescentes. Partidos de extrema-direita que compõem sua coalizão de governo rejeitam qualquer tratativa com o Hamas e exigem a continuidade da operação militar, além da retomada dos assentamentos desmantelados em 2005 dentro da Faixa de Gaza.
Em um cenário cada vez mais complexo, cresce a divisão entre a necessidade de uma solução política para garantir o retorno dos reféns e a promessa reiterada de erradicação total do grupo militante palestino. A resposta oficial de Israel à proposta anunciada por Trump ainda não foi formalizada.
*Com informações da EFE
