O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, voltou a afirmar nesta quarta-feira (2) que está sendo alvo de uma tentativa de golpe de Estado e pediu que a Justiça dos Estados Unidos investigue possíveis ligações de seu ex-chanceler Álvaro Leyva com parlamentares do Partido Republicano, acusando-o de articular uma conspiração internacional contra seu governo.
“Há um golpe em andamento e é preciso investigá-lo”, escreveu Petro em uma longa publicação na rede social X, na qual também mencionou contatos entre Leyva e figuras influentes da política americana. Segundo o presidente colombiano, a suposta conspiração estaria vinculada a uma série de eventos internos, como as investigações sobre o financiamento de sua campanha, o processo judicial contra seu filho Nicolás Petro e recentes ataques armados atribuídos a grupos guerrilheiros e narcotraficantes.
Petro ainda afirmou que, em ocasiões anteriores, o governo dos Estados Unidos, durante a gestão Joe Biden, o ajudou a evitar atentados contra sua vida. Agora, ele pede que a Justiça americana investigue a participação de congressistas republicanos na suposta tentativa de desestabilização política. “As portas do golpe de Estado parlamentar se fecharam”, disse, atribuindo o colapso do plano à incompetência e “torpeza” de seus opositores.
A denúncia pública surge após a revelação de que Leyva teria se reunido recentemente nos Estados Unidos com o congressista republicano Mario Díaz-Balart e buscado interlocução com o secretário de Estado, Marco Rubio, numa tentativa de exercer “pressão internacional” contra Petro e favorecer a ascensão da vice-presidente, Francia Márquez, ao poder. Ambos os congressistas negaram qualquer envolvimento, classificando as acusações como “invenções”.
Álvaro Leyva, de 82 anos, foi o primeiro ministro das Relações Exteriores do governo Petro, mas deixou o cargo no início de 2024, após ser suspenso pelo Ministério Público por irregularidades em um contrato de emissão de passaportes. Nos últimos meses, tornou-se crítico público da presidência e acusou Petro de ter problemas com drogas — alegações que não foram comprovadas.
A nova denúncia de Petro também envolve o cenário político interno. Ele criticou a carta enviada por nove partidos ao procurador-geral Gregorio Eljach, na qual os signatários pedem garantias institucionais para as eleições de 2026 e demonstram preocupação com a atuação do Executivo. Para Petro, o documento faz parte de um “ato sedicioso” liderado pelo presidente do Congresso, Efraín Cepeda.
O Ministério Público colombiano confirmou que investiga o caso envolvendo Leyva e suas supostas articulações nos EUA, embora ainda não tenha divulgado evidências conclusivas.
A vice-presidente Francia Márquez, mencionada no plano de sucessão, rejeitou publicamente qualquer envolvimento na suposta conspiração, assim como os parlamentares norte-americanos citados. A oposição, por sua vez, acusa Petro de tentar desviar o foco de denúncias contra seu entorno político.
Com o país cada vez mais polarizado, as declarações de Petro prometem acirrar ainda mais o embate institucional em um cenário que já é marcado por tensão entre Executivo, Congresso e Judiciário.
*Com informações da Agência EFE
