O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai visitar oficialmente a ex-presidente da Argentina, Cristina Kirchner, nesta quinta-feira (3), em Buenos Aires. A confirmação foi feita pelo Palácio do Planalto após a Justiça argentina autorizar o encontro, que ocorrerá na residência da ex-mandatária, onde ela cumpre pena de seis anos em regime de prisão domiciliar por corrupção.
A autorização judicial foi concedida pelo tribunal federal responsável pela execução penal de Cristina. Segundo o advogado Carlos Beraldi, o aval foi obtido nesta quarta-feira (2), um dia após o pedido formal ter sido apresentado. A decisão incluiu uma janela específica para a visita, respeitando as restrições impostas à ex-presidente, que não pode receber visitas fora de seu círculo íntimo sem aprovação prévia.
O encontro ocorrerá enquanto Lula participa da 66ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, durante a qual o Brasil assumirá a presidência temporária do bloco. O presidente brasileiro desembarcou nesta quarta-feira na capital argentina e cumpre compromissos oficiais ao longo do dia seguinte.
A visita deve ocorrer no apartamento de Cristina, localizado no bairro de Constitución, no centro de Buenos Aires. A ex-presidente está reclusa sob regras que restringem sua interação com o público e exigem discrição para evitar interferência na rotina da vizinhança.
Embora o gesto tenha caráter pessoal e de solidariedade, o Planalto trabalha para que a visita não seja interpretada como ingerência política em processos judiciais argentinos. A equipe presidencial orienta que Lula evite comentários sobre a condenação ou o conteúdo das acusações contra Cristina, que alega inocência e denuncia perseguição judicial.
Nos bastidores, a diplomacia brasileira acompanha com cautela os desdobramentos do encontro, em meio ao ambiente político tenso na Argentina e ao histórico de atritos entre Lula e o atual presidente Javier Milei. A possibilidade de repercussão negativa é uma preocupação, sobretudo diante da crítica do governo brasileiro à interferência internacional em seu próprio sistema judiciário, como nas recentes declarações da gestão Donald Trump sobre o Supremo Tribunal Federal e o ministro Alexandre de Moraes.
A visita de Lula a Cristina é também simbólica: os dois líderes foram figuras centrais da chamada “onda progressista” latino-americana e mantêm relação próxima desde os anos 2000. Ainda assim, o contexto atual exige cuidado diplomático, diante do desgaste judicial de Cristina e da polarização crescente nos dois países.
*Com informações a Agência AE
