O Banco Central (BC) anunciou nesta sexta-feira (4) a suspensão cautelar da participação no Pix de três instituições financeiras suspeitas de envolvimento no ataque cibernético contra a provedora de serviços tecnológicos C&M Software. As empresas Transfeera, Soffy e Nuoro Pay foram desconectadas do sistema enquanto o BC apura a possível relação delas com o desvio de recursos.
O ataque, ocorrido na última terça-feira (1º), resultou no desvio de pelo menos R$ 400 milhões de contas reservas que os bancos mantêm junto ao Banco Central para cumprimento de exigências legais. O dinheiro foi transferido via Pix e convertido em criptomoedas, segundo as investigações em andamento conduzidas pelo BC, Polícia Federal e Polícia Civil de São Paulo.
A suspensão das instituições pode durar até 60 dias e tem base no Artigo 95-A da Resolução 30 do Banco Central, que regulamenta o Pix. O dispositivo permite que o BC retire do sistema de pagamentos instantâneos qualquer participante cuja conduta coloque em risco o funcionamento seguro do arranjo.
A Transfeera, empresa de capital fechado autorizada pelo BC, confirmou a suspensão do Pix, mas garantiu que outros serviços seguem operando normalmente e afirmou não ter sido afetada diretamente pelo incidente. Já as fintechs Soffy e Nuoro Pay, que não têm autorização direta para operar no Pix, participam do sistema por meio de parcerias com outras instituições financeiras e ainda não se manifestaram publicamente.
A C&M Software, que presta serviços tecnológicos para diversas instituições financeiras e atua como elo entre elas e o Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB), teve suas operações Pix suspensas temporariamente, mas já foi autorizada a retomar as atividades pelo BC.
Em desdobramento das investigações, a Polícia Civil prendeu um funcionário da C&M suspeito de receber R$ 15 mil para facilitar o acesso dos criminosos aos sistemas da empresa. O homem teria confessado que forneceu senhas e ajudou a criar sistemas para os hackers.
O BC reforçou que as medidas visam proteger a segurança e a integridade do Pix enquanto o caso é esclarecido, garantindo a estabilidade do sistema de pagamentos mais utilizado do país.
*Com informações da Agência Brasil
