O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quarta-feira (9) sanções contra Francesca Albanese, relatora especial da ONU para os Territórios Palestinos, acusando-a de antissemitismo e de liderar uma campanha política contra Israel. A decisão foi comunicada pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, que afirmou que “a campanha política e econômica de Francesca contra EUA e Israel não será mais tolerada”.
A medida ocorre em meio ao agravamento das tensões diplomáticas envolvendo investigações do Tribunal Penal Internacional (TPI) sobre possíveis crimes de guerra cometidos por autoridades israelenses. Albanese é acusada pelo governo norte-americano de ter colaborado com o TPI na emissão de ordens de prisão contra o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e o ex-ministro da Defesa, Yoav Gallant, por suas ações na Faixa de Gaza.
As sanções aplicadas têm como base uma ordem executiva assinada pelo presidente Donald Trump em fevereiro deste ano, que autoriza o bloqueio de ativos e a revogação de vistos americanos para indivíduos que colaborem com investigações internacionais consideradas hostis aos interesses de Israel. O governo norte-americano acusa Albanese de ultrapassar os limites da função diplomática e de comprometer a neutralidade exigida pelo cargo que ocupa nas Nações Unidas desde 2022.
Segundo Rubio, a relatora está “incapacitada” para exercer suas funções por ter demonstrado, nas palavras do secretário, “antissemitismo descarado, apoio ao terrorismo e um aberto desprezo por EUA, Israel e o Ocidente”. Ele ainda afirmou que Albanese intensificou sua atuação ao sugerir que o TPI investigue e processe empresas ocidentais, como BlackRock e Vanguard, por lucros obtidos com o que chamou de “economia do genocídio” na guerra em Gaza.

A relatora vinha denunciando publicamente o que classificava como crimes de guerra e crimes contra a humanidade cometidos por Israel nos territórios palestinos ocupados desde 1967. Em seus relatórios mais recentes, ela acusou o Estado israelense de genocídio e chamou a atenção para o papel de grandes corporações no financiamento e apoio logístico ao conflito.
As Nações Unidas ainda não se pronunciaram oficialmente sobre a decisão dos EUA.
*Com informações da Agência EFE
