A primeira-dama Janja da Silva deu o pontapé inicial na última sexta-feira (5), no Rio de Janeiro, a uma série de encontros com mulheres evangélicas, visando estreitar a relação com um dos setores que mais demonstram rejeição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O primeiro encontro, considerado piloto, reuniu cerca de 100 mulheres na Igreja Batista de São Cristóvão, contando também com a presença da ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco.
Organizada a pedido da própria primeira-dama, a reunião contou com a participação de integrantes da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito e teve como objetivo principal ouvir relatos e experiências das participantes, promovendo um ambiente aberto ao diálogo. Segundo aliados ouvidos pelo jornal O Globo, Janja planeja realizar encontros similares em outros estados, como Pernambuco, Minas Gerais e alguma unidade da região Norte, sempre focando em mulheres de comunidades e periferias que atuam no combate à fome — uma das pautas que ela representa dentro do governo.
A iniciativa ocorre em meio a um cenário de forte rejeição do eleitorado evangélico ao atual governo. Pesquisa Datafolha de junho revela que 61% dos evangélicos desaprovam Lula, enquanto o ex-presidente Jair Bolsonaro, apoiado por líderes como Silas Malafaia e Edir Macedo, tem uma rejeição de 25% nesse grupo.
Mesmo com esses números desfavoráveis, Janja tem autonomia para propor agendas e é vista internamente como uma ponte possível para aproximar o governo do eleitorado evangélico. Nilza Valéria Zacharias, coordenadora da Frente que organizou o encontro, classificou o diálogo como “necessário, desarmado e respeitoso”. Já a ministra Anielle Franco contou que Janja se emocionou durante a reunião e que novas ações desse tipo já estão em planejamento. Além disso, o governo prepara uma agenda envolvendo ministros e pastores, sob liderança da ministra Gleisi Hoffmann, para ampliar ainda mais o diálogo com o segmento evangélico.
