O Kremlin confirmou nesta quinta-feira (10) que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, não participou do velório do ex-ministro dos Transportes, Roman Starovoit, encontrado morto na última segunda-feira (7), poucas horas após ter sido oficialmente afastado do cargo. A ausência do chefe do Executivo russo foi justificada por meio do porta-voz Dmitry Peskov, que afirmou que Putin “tinha outra agenda de trabalho” no dia da cerimônia.
Segundo Peskov, a presença do presidente em funerais não é uma obrigação institucional. “O presidente nem sempre comparece a essas tristes cerimônias de despedida. Vocês sabem que muitos membros do governo foram. Isso é sempre uma decisão pessoal de cada um”, disse o porta-voz durante coletiva de imprensa por telefone com jornalistas.
O velório de Starovoit ocorreu no Hospital Clínico Central de Moscou, vinculado à administração presidencial. A cerimônia reuniu centenas de pessoas, incluindo diversos ministros do governo. O enterro está previsto para acontecer em São Petersburgo.
As autoridades russas apontam o suicídio como principal hipótese para a morte do ex-ministro, encontrado ao lado de uma pistola. No entanto, o caso ganha contornos mais complexos em meio a denúncias de corrupção envolvendo a gestão de Starovoit na região de Kursk, que foi alvo de uma ofensiva ucraniana três meses após sua nomeação como ministro.
Informações veiculadas por meios de comunicação locais indicam que Starovoit poderia estar implicado em um esquema de desvio de verbas públicas destinadas à construção de fortificações militares em Kursk. A situação se agravou em abril, quando seu sucessor e ex-aliado político, Alexei Smirnov, foi detido por corrupção. Fontes próximas à investigação sugerem que Smirnov teria colaborado com autoridades, oferecendo provas que poderiam levar à prisão de Starovoit, o que o exporia a uma possível condenação de até 20 anos.
*Com informações da EFE
