A morte de uma menina de 11 anos após cair de um penhasco no Cânion Fortaleza, em Cambará do Sul (RS), na quinta-feira (10), comoveu o país e reacendeu o alerta sobre os perigos de visitas a áreas naturais sem acompanhamento especializado. Bianca, natural de Curitiba (PR), passeava com os pais e dois irmãos menores quando sofreu o acidente durante uma parada para lanche próxima ao mirante. Segundo relatos, a criança saiu correndo em direção ao penhasco e, apesar da tentativa do pai de alcançá-la, acabou despencando de uma altura de aproximadamente 70 metros.
O Cânion Fortaleza está localizado dentro do Parque Nacional da Serra Geral, uma unidade de conservação com 17 mil hectares, sob responsabilidade do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Vizinho ao parque Aparados da Serra, ambos somam cerca de 30 mil hectares de preservação do bioma Mata Atlântica. O local é conhecido pelas paisagens deslumbrantes, com paredões rochosos, vales profundos e trilhas que atraem visitantes em busca de experiências com a natureza.
Embora a entrada no parque seja gratuita e a visitação permitida, o ICMBio reforça em seu site que as trilhas são autoguiadas e os visitantes são os principais responsáveis por sua segurança. “O salvamento em ambientes naturais é caro e complexo, podendo levar dias e causar grandes danos ao ambiente. Portanto, não se arrisque sem necessidade”, orienta o guia oficial de conduta consciente divulgado pelo instituto. Também não há infraestrutura de alimentação, e é recomendado levar lanche e água, além de se vestir adequadamente para caminhadas, inclusive sob chuva.
A trilha onde ocorreu o acidente é uma das mais procuradas da região: o Mirante do Fortaleza, de onde se tem uma vista ampla do cânion. Outras atrações incluem a trilha da Pedra do Segredo e a da Borda dos Cânions. A operação de apoio à visitação é feita pela empresa Urbia, que lamentou a tragédia e anunciou o fechamento temporário do local em sinal de luto. A empresa afirmou que mobilizou suas equipes imediatamente após o acidente e que está colaborando com as investigações.
O resgate foi difícil e demorado. O corpo de Bianca foi localizado por um drone por volta das 17h30 e recuperado apenas às 23h, com uso de técnicas de rapel por equipes do Corpo de Bombeiros. A operação contou ainda com o apoio de montanhistas, funcionários do ICMBio e da concessionária Urbia. As condições meteorológicas e o relevo íngreme impediram qualquer outro tipo de abordagem.
O episódio gerou comoção nacional. A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, lamentou publicamente a morte da menina. “Ao pai, à mãe e seus dois irmãos, com quem ela visitava o Parque, meus sentimentos e o mais profundo pesar pela perda tão precoce. Que Deus possa consolar e dar sustentação à família neste momento de dor e irreversível perda”, disse em nota oficial.
A tragédia acende um alerta sobre a importância de orientações mais rígidas em áreas naturais com risco elevado, especialmente para famílias com crianças pequenas e sem experiência em ambientes desse tipo. Embora o parque tenha sinalização e advertências claras, o episódio evidencia que o encantamento pela natureza precisa vir acompanhado de medidas reforçadas de segurança e conscientização.
*Com informações da Agência AE
