O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, fez duras críticas à família Bolsonaro em entrevista ao Estadão, em meio à ameaça do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de sobretaxar em 50% as exportações brasileiras. Haddad questionou a postura do ex-presidente e de seus aliados, afirmando que o Brasil não pode ser sacrificado por interesses pessoais.
“Vamos sacrificar o Brasil por causa do Bolsonaro? Ele que devia estar se sacrificando pelo Brasil”, declarou o ministro, ressaltando que a situação configura uma inversão de valores que prejudica o país e seus setores econômicos, inclusive aqueles que apoiaram Bolsonaro em 2018. Haddad ainda considerou “abjeto” o apoio do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, a Bolsonaro no contexto das negociações com os EUA.
O ministro destacou a importância de manter a negociação unificada pelo governo federal, criticando eventuais tentativas de abrir múltiplas frentes de diálogo, como a atuação paralela de políticos ligados à família Bolsonaro e governadores de diferentes estados. “A pior coisa que pode acontecer é nos dividirmos”, afirmou, defendendo uma centralização das conversas para melhor defender os interesses brasileiros.
Sobre a investigação comercial iniciada pelos EUA, Haddad disse que o governo responde a cada questionamento com esclarecimentos, e criticou o impacto que uma possível taxação sobre o Pix teria para o Brasil, ironizando que isso poderia realizar o “sonho” de alguns parlamentares que defendem essa taxação.
A fala do ministro expressa a tensão entre Brasília e Washington diante do aumento das medidas protecionistas americanas, em um momento de delicada conjuntura econômica internacional e interna.
*Com informações da Agência AE
