A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (17) a quinta fase da Operação Overclean, que apura um suposto esquema de desvio de recursos públicos por meio de emendas parlamentares e fraudes em licitações. A ação teve como foco cidades da Bahia, Pernambuco e o Distrito Federal, com destaque para o município de Campo Formoso, reduto eleitoral do deputado federal Elmar Nascimento (União Brasil-BA), que é investigado, mas não foi alvo de mandados nesta etapa.
A operação foi autorizada pelo ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso desde janeiro, quando o inquérito foi transferido à Corte após surgirem menções ao parlamentar em mensagens apreendidas. A ofensiva mobilizou equipes da PF, da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Receita Federal, que cumpriram 18 mandados de busca e apreensão em Salvador (BA), Campo Formoso (BA), Senhor do Bonfim (BA), Petrolina (PE), Mata de São João (BA) e Brasília (DF).
Um dos principais alvos da operação é o prefeito de Campo Formoso, Elmo Nascimento (União Brasil-BA), irmão de Elmar. Segundo as investigações, ele teria participado de reuniões com representantes da Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba) e com empresários que venceriam licitações ligadas a emendas enviadas por Elmar em 2022.
A decisão do STF também determinou o afastamento cautelar de um servidor público e o bloqueio de R$ 85,7 milhões em contas de pessoas físicas e jurídicas investigadas. Entre os nomes citados estão Marcelo Andrade Moreira Pinto (ex-presidente da Codevasf), Francisco Manoel do Nascimento Neto (vereador e primo de Elmar e Elmo), Amaury Albuquerque Nascimento (ex-assessor de Elmar), além de empresários e servidores ligados à administração municipal.
Durante as buscas, agentes encontraram cerca de R$ 10 mil em dinheiro vivo escondidos nos sapatos do vereador Francisco Manoel, conhecido como Francisquinho Nascimento. Também foram recolhidos documentos e planilhas que, segundo a PF, detalham o pagamento de vantagens indevidas a partir de recursos de emendas parlamentares — material que reforça as suspeitas de um esquema estruturado de desvio de verbas públicas.
A planilha, apreendida ainda na primeira fase da operação em dezembro de 2024, seria utilizada como controle informal das propinas pagas. Nela, consta o nome de Amaury Albuquerque Nascimento, que foi exonerado do gabinete de Elmar Nascimento em fevereiro de 2025, após ter exercido o cargo de secretário parlamentar desde maio do ano anterior. Amaury nega qualquer relação entre sua exoneração e a operação, afirmando que não foi intimado ou notificado formalmente.
Mais de 100 pessoas — entre políticos, empresários e servidores públicos — estão na mira da investigação, que segue em curso. A reportagem busca contato com o deputado Elmar Nascimento, que nega envolvimento em qualquer irregularidade. O espaço segue aberto para manifestações dos citados.

Dinheiro vivo nos sapatos do vereador Francisco Manoel do Nascimento Neto Foto: Divulgação / PF
*Com informações da AE
