O pastor Silas Malafaia, presidente da Igreja Assembleia de Deus Vitória em Cristo (ADVEC), voltou a usar suas redes sociais nesta sexta-feira (18) para fazer duras críticas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e defender com veemência o impeachment e até a prisão do magistrado. A motivação mais recente para o posicionamento foi a imposição de medidas cautelares ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), entre elas o uso de tornozeleira eletrônica, mesmo sem que haja condenação judicial contra ele.
Visivelmente indignado, Malafaia classificou as ações de Moraes como “ditatoriais” e afirmou que a democracia no Brasil está sendo corroída pelo que chamou de “ditador da toga”. Em tom enfático, questionou: “Quem vai parar esse criminoso?”, expressão que, segundo ele, ecoa entre muitos brasileiros insatisfeitos com o Judiciário.
O líder religioso acusou o ministro de cometer crimes no exercício de sua função no STF e afirmou que, por uma questão de tempo, não expôs todos os supostos atos ilegais em um vídeo publicado nas redes. Entre as críticas, destacou a denúncia do advogado de Filipe Martins, ex-assessor de Bolsonaro, que acusou Moraes de não ouvir testemunhas de defesa, apenas de acusação. Para Malafaia, isso representa uma “aberração” dentro do que seria o devido processo legal.
A operação recente da Polícia Federal na casa de Bolsonaro e nas dependências do Partido Liberal, ambos em Brasília, também foi alvo da revolta do pastor. “Isso não é Justiça, é justiçamento. Um ex-presidente recebe tornozeleira como se fosse um bandido, assassino ou corrupto. Nem Lula passou por isso”, afirmou, comparando o tratamento dado a Bolsonaro com o de outros nomes envolvidos em escândalos passados.
Malafaia classificou como “censura absurda” o bloqueio das redes sociais de Bolsonaro e criticou as restrições impostas ao ex-presidente, como a proibição de se comunicar com o filho Eduardo Bolsonaro. “Nem pedófilos ou estupradores são impedidos de falar com os filhos. Isso é uma vergonha!”, disparou.
Em sua fala, o pastor ainda apontou o que considera um detalhe ignorado pela grande imprensa: segundo ele, a investigação em curso não tem Bolsonaro como alvo direto, mas sim seu filho Eduardo. Para Malafaia, esse fato agrava o que classificou como uma “vergonha jurídica”.
O discurso inflamado de Silas Malafaia reflete a crescente tensão entre setores conservadores ligados ao ex-presidente Bolsonaro e o Supremo Tribunal Federal, especialmente nas figuras de seus ministros mais atuantes em casos envolvendo o ex-mandatário.
Foto: PR/Isac Nóbrega
