Um mistério que intrigava cientistas há décadas pode ter sido finalmente resolvido. A NASA anunciou uma descoberta crucial que explica por que Marte, hoje um planeta seco e inóspito, perdeu sua água — e, com ela, a chance de sustentar vida. A pesquisa, publicada neste mês na Science Advances, aponta um fenômeno violento e invisível como o responsável: a chamada pulverização catódica.
No passado distante, Marte abrigava rios, lagos e formas de vida microscópica. Mas há bilhões de anos, o planeta perdeu seu campo magnético, o que deixou sua atmosfera vulnerável à ação destrutiva do vento solar. A pulverização catódica ocorre quando íons energéticos do Sol colidem com a atmosfera, arrancando átomos e moléculas — como água — e lançando-os ao espaço. “É como um salto de bola de canhão em uma piscina”, explica Shannon Curry, pesquisador-chefe da missão Maven. “Esses íons pesados destroem a camada superior da atmosfera e espalham seus componentes.”
Embora houvesse indícios do processo, esta foi a primeira vez que os cientistas o observaram diretamente. Utilizando três instrumentos da espaçonave Maven, a equipe conseguiu registrar o fenômeno em ação, especialmente em regiões onde partículas solares atingiram o planeta com maior intensidade. O resultado foi a criação de um mapa inédito que mostra traços de argônio sendo dispersos — prova viva da violenta erosão atmosférica marciana.
A descoberta revela que esse processo ocorre quatro vezes mais intensamente do que se pensava e se agrava durante tempestades solares. Com isso, a NASA dá um passo decisivo para entender por que Marte se tornou um mundo árido — e reforça os desafios de tornar o planeta habitável no futuro.
*Com informações da JovemPan
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