As medidas protecionistas adotadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estão causando preocupação em todo o mundo. Com o aumento de tarifas comerciais impostas a mais de 20 países, os efeitos já se fazem sentir na desaceleração da economia global, ameaçando também o crescimento do Brasil. Segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a guerra tarifária pode encolher em 0,12% o PIB global e provocar uma retração de 2,1% no comércio mundial — o equivalente a US$ 483 bilhões em perdas.
Os impactos diretos no Brasil são significativos: o Produto Interno Bruto pode cair 0,16%, com uma perda de R$ 52 bilhões em exportações e a eliminação de cerca de 110 mil empregos. A China, principal rival comercial dos EUA, também deve sentir a mesma retração econômica.
Para o economista Paulo Feldmann, professor da FIA Business School, o cenário é um retrocesso na globalização. Ele afirma que os efeitos das tarifas já se manifestam na estagnação do comércio internacional e projeta que 2025 será um ano de queda nas exportações em relação a 2024. “Ainda não sabemos exatamente quanto, mas haverá uma retração. O total exportado não será repetido”, alerta.
O especialista ressalta que o Brasil pode ser duplamente afetado: além da queda nas vendas externas, a instabilidade internacional poderá provocar uma corrida ao dólar, desvalorizando o real. “Os brasileiros não gostam de incerteza. Diante do risco, buscam o dólar como proteção, e isso empurra o câmbio para cima”, explica Feldmann.
A desvalorização cambial torna-se ainda mais preocupante diante da forte dependência brasileira de importações industriais. Com o real enfraquecido, os preços desses produtos sobem, gerando pressão inflacionária interna. O resultado é uma combinação perigosa: menos exportações, mais inflação e queda na geração de empregos.
Com os mercados globais à deriva e o protecionismo em alta, o Brasil se vê em uma encruzilhada econômica, pressionado por decisões externas e pela fragilidade interna. A escalada tarifária dos Estados Unidos, longe de ser uma medida isolada, está redesenhando as rotas do comércio mundial — e o custo disso pode ser alto demais para países emergentes.
*Com informações do Diário de Pernambuco
Foto: EFE/EPA/YURI GRIPAS / POOL
