A morte da cantora e empresária Preta Gil, neste domingo (20), aos 50 anos, trouxe novamente à tona os perigos e desafios do câncer colorretal, uma das formas mais comuns da doença no Brasil. Diagnosticada em janeiro de 2023, Preta enfrentou uma dura batalha, marcada por cirurgias, sessões de quimioterapia e radioterapia, além de um tratamento experimental realizado em Nova Iorque, nos Estados Unidos, onde estava internada.
Ao longo de sua luta, Preta compartilhou publicamente cada etapa do tratamento, contribuindo para a conscientização sobre uma doença que atinge milhares de brasileiros. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), são estimados cerca de 45.630 novos casos por ano, entre homens e mulheres, no triênio 2023-2025. O câncer colorretal atinge o intestino grosso (cólon) e o reto, sendo em 90% dos casos do tipo adenocarcinoma, geralmente originado de pólipos — pequenas lesões que podem se tornar malignas com o tempo, se não tratadas.
Apesar de ser curável em boa parte dos casos, o tumor é traiçoeiro: costuma se desenvolver de forma silenciosa, e quando os sintomas aparecem, muitas vezes o estágio já é avançado. Alterações no hábito intestinal, sangue nas fezes, dores abdominais, perda de peso inexplicável e sensação constante de fadiga são alguns dos sinais de alerta que não devem ser ignorados.
Entre os fatores de risco estão dietas ricas em alimentos ultraprocessados e carnes vermelhas, sedentarismo, tabagismo, obesidade e histórico de doenças inflamatórias intestinais. Ainda que fatores genéticos tenham influência, eles são menos determinantes na maioria dos casos, segundo especialistas.
A principal arma contra o câncer colorretal é o diagnóstico precoce. Diferente de outros tumores, como o de mama, que geralmente é detectado já instalado, o colorretal pode ser identificado ainda em sua fase pré-cancerosa por meio da colonoscopia, um exame de rastreamento fundamental a partir dos 45 ou 50 anos, especialmente para quem possui fatores de risco.
Preta Gil, ao compartilhar sua trajetória com coragem e transparência, deu rosto e voz a uma luta enfrentada por milhares de brasileiros. Sua história reforça a urgência da prevenção e do acesso ao diagnóstico precoce. A despedida precoce da artista é, também, um chamado à conscientização.
