Em carta aberta divulgada nesta segunda-feira (21), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) cobrou publicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por avanços na reforma agrária, afirmando que o processo segue paralisado mesmo após mais de três anos de gestão. Usando como pano de fundo os recentes discursos do governo sobre soberania nacional — especialmente após o tarifaço anunciado pelo ex-presidente norte-americano Donald Trump — o movimento afirma que “não há soberania nacional sem soberania alimentar”.
Segundo o texto, publicado durante a campanha nacional “Para o Brasil alimentar, Reforma Agrária Popular!”, o MST critica a lentidão do governo em redistribuir terras e atender as famílias acampadas e assentadas. A carta afirma que aproximadamente 400 mil famílias seguem sem acesso efetivo a políticas públicas de apoio à produção rural e ao desenvolvimento dos assentamentos.
O movimento, que foi um dos apoiadores da eleição de Lula em 2022, agora adota tom mais firme e exige que o governo federal e os ministérios coloquem a reforma agrária no centro da agenda. “Arrancamos nas ruas e nas urnas uma importante vitória para o povo brasileiro ao elegermos Lula presidente (…). Por essa razão, exigimos que o governo se comprometa, de forma real e efetiva, com a destinação de terras e recursos condizentes com as necessidades concretas das famílias camponesas”, afirma o documento.
A carta integra as ações da Semana Camponesa, promovida em todo o país em alusão ao Dia do Trabalhador e da Trabalhadora Rural, celebrado em 25 de julho. O MST ressalta que, embora programas como o incentivo à agricultura familiar e à aquisição pública de alimentos estejam no papel, a execução tem sido falha e lenta.
A pressão do movimento coloca mais um desafio diante do Planalto, que tenta equilibrar a base de apoio entre setores do agronegócio e movimentos sociais ligados à esquerda. Para o MST, o tempo da paciência está se esgotando: “Lula, cadê a reforma agrária?” — questiona a carta em seu trecho mais direto.
*Com informações da Agência AE
