O Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) respondeu nesta terça-feira (22) à carta aberta enviada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que cobra mais agilidade na reforma agrária durante o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em nota, a pasta negou lentidão na redistribuição de terras e afirmou que a reforma agrária no país retomou o ritmo dos primeiros governos Lula.
“O governo Lula 3 caminha para bater recordes históricos na reforma agrária”, declarou o MDA, comandado pelo ministro Paulo Teixeira. A pasta informou que a meta é criar 30 mil novos lotes ainda em 2025 e 60 mil até o fim do mandato, atendendo metade das 120 mil famílias acampadas atualmente no país.
Por sua vez, o MST contesta esses números e afirma que cerca de 400 mil famílias assentadas continuam aguardando a chegada de políticas públicas prometidas, mas que não são efetivamente implementadas nas bases. Na carta enviada ao presidente Lula, o movimento ressaltou a insatisfação com o que considera paralisação da reforma agrária mesmo após mais de três anos do governo.
“Lula, cadê a reforma agrária?”, questiona o MST, que também relaciona a questão à campanha do presidente focada na soberania nacional, destacando que “soberania alimentar só é possível com agricultura familiar camponesa e com a reforma agrária”. O movimento ainda criticou a sobretaxa de 50% imposta pelos EUA a produtos brasileiros, reforçando a importância da agricultura familiar para a autonomia do país.
Em resposta, o Ministério do Desenvolvimento Agrário pediu respeito ao papel das organizações sociais de reivindicar, mas reafirmou que a reforma agrária está sendo conduzida com prioridade e resultados crescentes, contrariando as acusações de paralisação. Recentemente, o MST intensificou a pressão sobre o governo, promovendo invasões em propriedades rurais para exigir maior velocidade nos assentamentos.
O embate entre o governo e o movimento evidencia as tensões em torno da política agrária e os desafios para garantir a implementação das promessas feitas durante a campanha eleitoral.
*Com informações da Agência AE
