O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta terça-feira (22) que o país deixará novamente a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), com saída efetiva prevista para 31 de dezembro de 2026. A justificativa, segundo comunicado oficial do Departamento de Estado, é que a participação dos EUA na organização “não é do interesse nacional”.
De acordo com a porta-voz Tammy Bruce, a Unesco promove “causas sociais e culturais divisivas” e estaria excessivamente alinhada com uma “agenda globalista” representada pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, em desacordo com a política externa de Trump, centrada na prioridade aos interesses norte-americanos. A nota ainda reforça críticas à admissão do Estado da Palestina como membro pleno da entidade, chamando a medida de “extremamente problemática” e acusando a Unesco de alimentar uma retórica anti-Israel.
Essa será a terceira vez que os EUA se retiram da Unesco. A primeira ocorreu em 1984, sob o governo de Ronald Reagan, que também acusava a organização de politização excessiva. A segunda foi decidida pelo próprio Trump durante seu primeiro mandato, mas revertida em 2021 pelo então presidente Joe Biden, que recolocou os Estados Unidos em diversas instituições multilaterais, como a Unesco, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Acordo de Paris sobre o clima.
A nova decisão faz parte da estratégia do atual governo Trump de redefinir o papel dos EUA nos organismos internacionais, com foco exclusivo em interesses nacionais. “Nossa participação em entidades internacionais se centrará em promover os interesses americanos com clareza e convicção”, declarou Bruce.
A diretora-geral da Unesco, Audrey Azoulay, lamentou a decisão, mas afirmou que a organização está preparada, inclusive em termos orçamentários, para lidar com a saída. “Recebemos com pesar a decisão dos Estados Unidos, mas seguimos firmes no cumprimento de nossa missão”, disse Azoulay.
Até a data oficial de retirada, os EUA permanecerão como membros plenos da Unesco. A decisão reacende o debate sobre o papel das potências globais em organismos multilaterais e aprofunda a postura isolacionista da atual gestão Trump diante da comunidade internacional.
*Com informações da Agência EFE
