Em um encontro realizado nesta quarta-feira (23) em Kiev, os ministros das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrí Sibiga, e de Israel, Gideon Saar, anunciaram a criação de um diálogo estratégico conjunto para enfrentar a crescente ameaça representada pelo Irã. A iniciativa reforça a aproximação entre os dois países diante de um cenário geopolítico cada vez mais marcado por alianças militares entre regimes autoritários.
Saar destacou que os recentes ataques israelenses a instalações militares iranianas têm impactos diretos na segurança da Ucrânia e da Europa, já que Teerã fornece tecnologia militar à Rússia. “Hoje decidimos manter um diálogo estratégico entre nossos ministérios sobre a ameaça iraniana”, afirmou Saar, ressaltando os efeitos positivos das ações israelenses contra o aparato bélico do Irã.
Do lado ucraniano, Sibiga classificou a aliança entre Irã, Rússia e Coreia do Norte como uma “ameaça existencial” à segurança global. Segundo ele, Moscou, Teerã e Pyongyang formam uma coalizão de “regimes criminosos” que se apoiam mutuamente e colocam em risco a estabilidade do mundo livre. O chanceler ucraniano também criticou o contínuo desenvolvimento do programa nuclear iraniano e o apoio de Teerã a grupos terroristas.
Além da questão iraniana, os ministros discutiram a ampliação da cooperação humanitária. Saar lembrou que Israel, desde o início da guerra na Ucrânia, enviou um hospital de campanha, sistemas de purificação de água e assistência no tratamento de traumas e feridos de guerra. No entanto, evitou comentar sobre o envio de armamentos, ponto sensível devido à relação de Israel com a Rússia.
A visita de Saar é a primeira de um chefe da diplomacia israelense à Ucrânia desde 2023. Apesar do apoio humanitário, Israel tem evitado o fornecimento direto de armas a Kiev. Segundo o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, existia a expectativa do envio de sistemas de defesa antiaérea por parte de Israel, mas o plano foi suspenso após o início da guerra na Faixa de Gaza.
*Com informações da Agência EFE
