O Partido dos Trabalhadores (PT) quitou uma dívida de R$ 2,3 milhões com os marqueteiros João Santana e Mônica Moura, responsável pelas campanhas presidenciais de Lula e Dilma Rousseff. O pagamento à empresa Polis Propaganda e Marketing LTDA, de propriedade do casal, consta na prestação de contas do partido entregue ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A quitação faz parte de um acordo firmado em abril deste ano, no qual o PT se comprometeu a pagar R$ 2,2 milhões em parcela única e outros R$ 531 mil divididos em cinco prestações, após a homologação do acordo judicial. A negociação reduziu o valor original da dívida, que ultrapassava os R$ 9 milhões, para cerca de R$ 4 milhões. Parte desse montante já havia sido paga anteriormente por meio de contratos distintos.
De acordo com o termo firmado entre as partes, após a homologação definitiva, tanto o partido quanto os marqueteiros desistiriam de qualquer recurso judicial ainda pendente. A direção do PT confirmou que o débito foi integralmente quitado e que o processo foi encerrado.
João Santana foi o principal estrategista das campanhas vitoriosas de Lula em 2006 e de Dilma Rousseff em 2010 e 2014, além de outras disputas eleitorais do partido. Entre 2006 e 2014, incluindo também a campanha de Fernando Haddad à Prefeitura de São Paulo em 2012, a empresa do marqueteiro recebeu mais de R$ 160 milhões por serviços prestados ao PT.
Em 2016, Santana e Mônica foram presos na 23ª fase da Operação Lava Jato, acusados de envolvimento em esquemas de caixa 2. No ano seguinte, o casal firmou acordo de delação premiada, que colaborou com investigações que levaram à prisão do então ex-presidente Lula. Posteriormente, as condenações foram anuladas, e Santana retornou ao mercado político. Em 2021, ele assinou contrato com o PDT para coordenar a campanha presidencial de Ciro Gomes, com salário mensal de R$ 250 mil.
Em 2023, o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), estendeu ao casal os efeitos da decisão que anulou provas oriundas do acordo de leniência da Odebrecht, base de diversas condenações da Lava Jato, inclusive a de Lula. A medida consolidou a reabilitação jurídica dos marqueteiros, encerrando pendências judiciais ligadas à operação.
*Com informações da Agência AE
