O Senado Federal acumula atualmente 29 pedidos de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O número foi alcançado nesta quarta-feira (23), após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) protocolar uma nova solicitação de afastamento do magistrado. Desde 2021, essa é a sexta vez, só em 2025, que parlamentares ou cidadãos recorrem oficialmente à Casa pedindo que Moraes seja retirado da Suprema Corte.
Apesar da quantidade expressiva de pedidos, nenhum deles teve andamento sob a presidência do senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que permanece à frente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e detém forte influência sobre a tramitação dessas ações. Alcolumbre vem sendo alvo de críticas da oposição, que o acusa de blindar o ministro e se omitir em relação ao debate constitucional sobre os limites das decisões judiciais.
O novo pedido de Flávio Bolsonaro surge em um momento de crescente tensão entre os Poderes. Moraes é relator de inquéritos que envolvem diretamente o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), como o caso da suposta tentativa de golpe de Estado e a investigação sobre fraudes em cartões de vacinação. As medidas cautelares já impostas ao ex-chefe do Executivo, incluindo retenção de passaporte e proibição de contato com aliados, têm sido vistas por apoiadores como excessivas e politizadas.
A mobilização contra o ministro também ecoa fora do Congresso. Grupos conservadores organizam protestos em várias capitais do país para o próximo dia 3 de agosto, como forma de pressionar o Judiciário, expressar apoio a Bolsonaro e manifestar descontentamento com o governo Lula (PT).
O clima ainda é agravado por uma crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos, após o governo americano, liderado por Donald Trump, anunciar tarifas de 50% sobre produtos brasileiros. Trump, aliado político de Bolsonaro, já criticou publicamente a possibilidade de o ex-presidente ser preso, o que adiciona tensão internacional ao embate jurídico e político interno.
Entre as alegações mais recorrentes nos pedidos de impeachment estão acusações de abuso de autoridade, perseguição política e decisões monocráticas tomadas por Moraes, especialmente no âmbito de processos relacionados aos atos de 8 de janeiro de 2023. Até o momento, contudo, nenhuma dessas ações foi acolhida, e o ministro segue firme no cargo como um dos protagonistas das ações do STF contra a desinformação e atos antidemocráticos.
