O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a adotar uma postura dura em relação ao comércio internacional e afirmou nesta quarta-feira (23) que irá impor tarifas de 15% a 50% sobre produtos de países que não firmarem acordos comerciais bilaterais com os EUA até o dia 1º de agosto. Em discurso em Washington, Trump disse que há “muitos países com os quais não podemos negociar”, sinalizando que o prazo será decisivo para a aplicação das novas medidas tarifárias.
Desde abril, Trump tem pressionado seus parceiros comerciais com um regime tarifário global de 10% e com tarifas “recíprocas”, que, segundo ele, visam reduzir o déficit comercial dos Estados Unidos. Inicialmente, os países tinham até 9 de julho para concluir acordos, mas o prazo foi estendido para o início de agosto. Até agora, apenas Reino Unido, Japão, Vietnã, Indonésia, Filipinas e China fecharam pactos com Washington.
Durante esse período de trégua, Trump já notificou oficialmente dezenas de países sobre tarifas específicas, como 30% para o México e 35% para o Canadá. O Brasil também foi alvo das ameaças: o país poderá ser atingido com uma tarifa de 50%, motivada, segundo o presidente americano, por questões jurídicas envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Trump justificou o movimento afirmando que “são mais de 200 países” e que não é viável negociar individualmente com todos. “Mesmo que você seja, como eu, um viciado em acordos, são muitos acordos. Seria demais para qualquer um”, declarou.
As tratativas com a União Europeia ainda estão em andamento. Trump já ameaçou aplicar tarifas de 30% sobre os produtos do bloco, mas fontes diplomáticas informaram à Agência EFE que as negociações avançam para uma possível tarifa de 15%, desde que o mercado europeu seja mais acessível às empresas norte-americanas. Trump reforçou que, se houver abertura comercial, os países europeus poderão pagar tarifas mais baixas.
O tom impositivo de Trump ocorre a pouco mais de uma semana do prazo final e reforça sua estratégia de pressionar economicamente os parceiros que, segundo ele, se beneficiam de um sistema comercial injusto com os Estados Unidos.
*Com informações da Agência AE
