Durante cerimônia realizada nesta sexta-feira (25) em Osasco (SP), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez duras críticas à prática de eleitores das periferias escolherem políticos ricos nas urnas. Segundo ele, muitos pobres ainda acreditam que candidatos abastados não precisam roubar, quando, na visão do presidente, a riqueza acumulada por parte da elite política e econômica já é fruto de corrupção.
“É preciso parar com essa ideia. O pobre fala que vai votar no prefeito que é rico porque ele não vai roubar, porque já é rico. Ora, ele só é rico porque já roubou”, disse Lula durante o evento de anúncio do programa PAC Seleções 2025 Periferia Viva – Urbanização de Favelas, que prevê um investimento de R$ 4,67 bilhões em 49 territórios periféricos de 32 municípios de 12 estados.
Ao lado de deputados e lideranças locais, Lula ressaltou a importância de eleger representantes com origem popular e criticou o distanciamento entre a elite política e as reais necessidades das periferias. “O pobre fica com preconceito contra o pobre. O que leva uma pessoa que mora na periferia a votar num cara rico? Significa que a gente está colocando uma raposa para tomar conta do galinheiro”, afirmou, exaltando a resistência da bancada de esquerda no Congresso, composta por cerca de 130 parlamentares.
O presidente também rejeitou a ideia de um discurso de confronto entre classes partindo da esquerda. Para ele, a desigualdade e a exploração partem do topo. “Não tem nós contra eles, são eles contra nós. O povo levanta de manhã, vai trabalhar, às vezes pega duas horas de ônibus, no fim do mês recebe um salário de merreca que não dá para fazer tudo”, disse, destacando a violência e as dificuldades enfrentadas pela população mais pobre no cotidiano.
Lula ainda denunciou esquemas de corrupção envolvendo benefícios do INSS, afirmando que seu governo iniciou a devolução de valores desviados de aposentados. “Montaram uma quadrilha para roubar dinheiro de aposentados. Ontem, começamos a devolver o dinheiro que foi roubado para todos os aposentados lesados neste país.”
Encerrando o discurso, o presidente reforçou sua disposição de seguir na luta contra o que chamou de retrocessos políticos: “Enquanto eu tiver força, saúde e disposição, essa gente que governou este país não volta mais para governar.”
*Com informações da Agência AE
Foto: EFE/ Isaac Fontana
