A imposição de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já começa a provocar reflexos diretos no setor produtivo nacional. Indústrias de diferentes regiões do país, que têm nos EUA um de seus principais mercados, recorreram a férias coletivas e paralisações temporárias como forma de enfrentar a queda imediata na demanda. A medida norte-americana entra em vigor nesta sexta-feira (1º) e tem gerado apreensão entre empresários e trabalhadores.
Em Santa Catarina, uma empresa do setor madeireiro suspendeu as atividades e concedeu férias coletivas por tempo indeterminado aos seus funcionários, diante da falta de compradores no mercado americano. Segundo o CEO do grupo Ipumirim, João Jairo Canfield, a decisão foi inevitável. “Estamos aguardando o posicionamento de ambos os governos. Acredito que deva existir bom senso neste momento para preservar os empregos e garantir a continuidade dos negócios o mais rápido possível”, afirmou.
Situação semelhante ocorre no Mato Grosso do Sul, onde a carne bovina que seria exportada para os Estados Unidos está sendo redirecionada para mercados alternativos como China, Sudeste Asiático e Oriente Médio. De acordo com o sindicato que representa os produtores de carne no estado, a nova tarifa torna inviável a continuidade das exportações para os EUA, exigindo uma rápida reorganização das rotas comerciais.
O setor produtivo acompanha com expectativa os desdobramentos da situação, enquanto negociações diplomáticas são aguardadas na tentativa de reverter ou ao menos mitigar os impactos da decisão americana sobre a economia brasileira.
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