Durante um evento do Tribunal de Justiça do Maranhão realizado em São Luís, o ex-presidente José Sarney manifestou apoio ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, alvo recente de sanções impostas pelo governo dos Estados Unidos por meio da Lei Magnitsky. Em seu discurso, Sarney classificou as punições como “inacreditáveis” e disparou críticas indiretas ao presidente americano Donald Trump.
“Eu, pessoalmente, quero apresentar minha solidariedade à pessoa do ministro Alexandre de Moraes, pelas injustiças que ele está sofrendo. Coisas inacreditáveis que estamos presenciando”, declarou Sarney, destacando a importância da defesa do regime democrático brasileiro. Em tom contundente, acrescentou: “Não podemos correr atrás de um doido, devemos manter a crença no regime democrático, [que] deve ser defendido pela Justiça e por todos nós para que esses 40 anos [de democracia] se multipliquem numa função eterna, permanente e sempre esteja assegurando a cidadania e a liberdade do Brasil”.
A fala ocorre em meio à repercussão internacional das sanções impostas pelos EUA a Moraes, que foi acusado de envolvimento em violações de direitos humanos e abuso de poder. As penalidades incluem proibição de entrada em território americano, bloqueio de bens e acesso ao sistema financeiro dos EUA — o que marca a primeira vez que um magistrado de um país considerado democrático é punido pela legislação norte-americana.
O evento também contou com a presença do ministro do STF Flávio Dino, que reiterou publicamente seu apoio a Moraes por meio de publicações nas redes sociais. Apesar da manifestação de solidariedade da Corte como instituição, nem todos os membros do Supremo assinaram a nota conjunta em defesa do colega.
As críticas de Sarney, aliado histórico do presidente Lula, refletem o clima de tensão diplomática entre Brasília e Washington e reforçam o movimento de apoio interno ao ministro do STF, que segue sendo figura central no enfrentamento ao extremismo político no país.
*Com informações da Agência AE