Um terremoto de magnitude 8,8, o mais forte registrado na região em quase 73 anos, atingiu a costa da Península de Kamchatka, no extremo oriente da Rússia, provocando uma série de tsunamis que deixaram a cidade de Severo-Kurilsk completamente debaixo d’água. Segundo o prefeito do distrito das Ilhas Kuril do Norte, Aleksander Ovsianikov, “quatro ondas de tsunami” varreram a cidade, causando destruição.
O tremor, que ocorreu na manhã de quarta-feira (30) no horário local — noite de terça (29) no Brasil —, teve seu epicentro próximo à cidade de Petropavlovsk, a uma profundidade de 20,7 quilômetros, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). Especialistas consideram que esse abalo sísmico está entre os seis mais poderosos já registrados no mundo, e ele pode ainda ser reclassificado nos próximos dias conforme novos dados forem analisados.
Apesar da força do terremoto e da intensidade das ondas, o Kremlin informou ao fim do dia que não houve vítimas fatais na Rússia, embora tenha alertado para a possibilidade de réplicas de até 7,5 de magnitude nas próximas semanas. Os danos foram minimizados pelo fato de o epicentro estar localizado em uma área remota e esparsamente povoada de Kamchatka, composta por florestas, vulcões e planaltos.
O terremoto teve repercussão em praticamente toda a Bacia do Pacífico. Alertas de tsunami foram emitidos em países como Japão, China, Indonésia, Filipinas, Nova Zelândia, México, Peru e Chile, além do Havaí e da própria Rússia. Estima-se que mais de 3,5 milhões de pessoas tenham recebido ordens de retirada em áreas costeiras, sendo 2 milhões apenas entre Rússia, Japão e Havaí. O Chile decretou alerta vermelho em toda a sua faixa litorânea e deslocou mais de 1,5 milhão de pessoas para regiões altas.
A intensidade do tremor também desencadeou a erupção do vulcão Klyuchevskoi, o mais alto da Eurásia. O Serviço Geofísico da Rússia informou que lava incandescente desceu pela encosta oeste do vulcão, acompanhada de fortes explosões e um brilho intenso visível à distância.
Sismólogos do Serviço Geológico Britânico estimam que a sequência de tremores secundários pode durar cerca de um mês, com possibilidade de novos abalos de magnitude superior a 8. Até o momento, os relatos mais graves indicam apenas ferimentos leves entre moradores da Península de Kamchatka. Nenhuma morte foi confirmada em nenhum dos países atingidos pelas ondas do tsunami.
O evento coloca novamente em alerta as regiões do Círculo de Fogo do Pacífico, onde a atividade sísmica e vulcânica é historicamente intensa.
*Com informações da Agência AE
