O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta segunda-feira (4) que o Brasil está disposto a negociar acordos com os Estados Unidos envolvendo minerais críticos e terras raras, recursos estratégicos utilizados na fabricação de baterias, semicondutores, equipamentos militares e painéis solares. A fala ocorreu em entrevista à BandNews e reflete uma tentativa de ampliar a cooperação bilateral em meio à recente tensão comercial entre os dois países.
Segundo Haddad, os EUA demonstraram interesse crescente nesse tipo de parceria, especialmente diante da escassez doméstica desses recursos. “Em se tratando da maior economia do mundo, o Brasil pode participar mais do comércio bilateral e, sobretudo, de investimentos estratégicos. Nós temos minerais críticos e terras raras. Os Estados Unidos não são ricos nesses minerais. Podemos fazer acordos de cooperação para produzir baterias mais eficientes, na área tecnológica”, afirmou.
Os chamados minerais críticos e terras raras são componentes essenciais para o avanço da tecnologia e da indústria moderna. Em junho, durante as negociações para tentar barrar as novas tarifas impostas pelos EUA a produtos brasileiros, a questão dos minérios estratégicos surgiu como um ponto de possível convergência entre os dois governos.
Haddad defendeu uma aproximação tecnológica entre Brasil e Estados Unidos e ressaltou que o país também tem o que oferecer. “Na área tecnológica temos muito a aprender e temos muito também a ensinar. Veja o objeto de desejo que se tornou o Pix, que tem sido considerado por prêmios Nobel de Economia o futuro da moeda digital”, disse o ministro, em referência ao sistema de pagamentos instantâneos desenvolvido pelo Banco Central.
O ministro também reiterou que o Brasil não deve ficar restrito a uma única esfera de influência econômica e precisa diversificar suas parcerias. “A gama de setores em que interessa o Brasil, uma parceria com os Estados Unidos, é enorme. Nós não queremos que só a China ou, agora, a União Europeia invista no Brasil. Queremos que os Estados Unidos invistam também. Somos um país grande demais para servir de satélite de um bloco econômico, seja asiático, europeu ou estadunidense”, declarou.
As declarações reforçam a tentativa do governo brasileiro de reposicionar o país como ator relevante na transição energética e na cadeia global de suprimentos tecnológicos, aproveitando suas vantagens naturais e geopolíticas para atrair investimentos estratégicos.
