Durante a 5ª Reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS), realizada na última terça-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) surpreendeu ao afirmar que considera baixo o salário que recebe como chefe do Executivo. Segundo ele, mesmo ganhando o teto do funcionalismo público, de R$ 46.366,19 mensais, os descontos deixam seu rendimento líquido em cerca de R$ 21 mil. A fala, feita em tom descontraído, surgiu durante uma reflexão sobre justiça tributária e o peso dos impostos no bolso do cidadão comum.
Ao abordar o tema, Lula argumentou que o sistema tributário brasileiro penaliza igualmente ricos e pobres, independentemente da renda, e citou seu próprio contracheque como exemplo. “Meu salário não é muito, viu?”, disse o presidente, acrescentando que paga 27% de Imposto de Renda e que o próprio Partido dos Trabalhadores (PT) ainda desconta uma contribuição de R$ 4 mil na fonte. “Sobra R$ 21 mil. Não é fácil a vida, sabe”, comentou, arrancando risos da plateia ao brincar que precisa pedir aumento a si mesmo diante do espelho.
As declarações rapidamente repercutiram e geraram comparações com salários de outros chefes de Estado. De acordo com levantamento do jornal O Globo, os rendimentos de Lula são inferiores aos de líderes como o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que recebe cerca de R$ 2,1 milhões por ano, e o presidente francês Emmanuel Macron, cujo salário anual chega a R$ 1,1 milhão. Também aparecem na lista o presidente russo Vladimir Putin, com R$ 760 mil ao ano, e o premiê britânico Keir Starmer, que acumula os salários de primeiro-ministro e parlamentar, totalizando R$ 1,1 milhão anuais.
Por outro lado, Lula recebe mais do que presidentes como Javier Milei, da Argentina, que ganha cerca de R$ 196 mil por ano, e Xi Jinping, da China, cujo salário também está abaixo do brasileiro. O maior rendimento entre os líderes mundiais é do primeiro-ministro de Singapura, Lawrence Wong, que recebe cerca de R$ 8,7 milhões anuais, ou aproximadamente R$ 725 mil por mês — valor quase 15 vezes maior do que o do presidente do Brasil.
A fala de Lula gerou debates nas redes sociais e entre analistas políticos, principalmente por ter sido feita em meio a discussões sobre carga tributária, desigualdade e responsabilidade fiscal. Enquanto alguns apontaram que o valor do salário presidencial não condiz com as responsabilidades e exigências do cargo, outros criticaram o tom da declaração diante da realidade econômica da maior parte da população brasileira.
Independentemente da polêmica, o episódio expôs uma faceta pouco comentada da vida pública: os rendimentos dos líderes mundiais e como eles se comparam diante dos diferentes contextos econômicos, sociais e políticos de seus países.
