O salário mínimo na Venezuela atingiu, na última sexta-feira (8), o equivalente a 1 dólar por mês, cerca de R$ 5,43, segundo a taxa de câmbio oficial do Banco Central do país (BCV). O valor, que permanece fixado em 130 bolívares desde março de 2022, já chegou a equivaler a aproximadamente 30 dólares na época do reajuste, mas perdeu poder de compra diante da desvalorização da moeda local.
Embora o salário mínimo seja referência para benefícios trabalhistas como férias e participação nos lucros, a renda dos trabalhadores é complementada por bônus pagos pelo governo a servidores públicos, que podem chegar a 160 dólares (cerca de R$ 869) mensais. Esses auxílios incluem 40 dólares de auxílio-alimentação e 120 dólares de “renda de guerra econômica”, mas não entram no cálculo dos direitos trabalhistas.
Segundo a ONG Provea, a Constituição venezuelana determina que o Estado garanta uma renda suficiente para assegurar uma vida digna e que seja ajustada de acordo com o custo da cesta básica. Dados da Federação Venezuelana de Professores, divulgados em abril, apontam que essa cesta custava 503,73 dólares (aproximadamente R$ 2.736), valor muito acima do que recebem os trabalhadores.
O governo afirma que a política de bônus é uma estratégia para enfrentar o que chama de “guerra econômica”, o bloqueio internacional e as sanções, além de conter a inflação. Entretanto, organizações sociais e especialistas alertam que a medida não substitui um reajuste formal do salário mínimo e não resolve a perda de poder aquisitivo da população.
*Com informações da Agência EFE
