O plenário da Câmara virou palco de troca dura de acusações nesta semana após a deputada Sâmia Bomfim (PSOL-SP) afirmar que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro “deve estar dando graças a Deus” por não ter mais que conviver com um “sujeito asqueroso” — referência ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) — e lançar insinuações sobre visitas íntimas. A declaração provocou reação imediata da colega Bia Kicis (PL-DF), que não titubeou: mandou Sâmia “lavar a boca” e a atacou com termos ásperos durante nova intervenção no plenário.
A troca de farpas começou com a provocação de Sâmia, que disse não ver motivo para piedade caso Bolsonaro passe a cumprir pena: “Eu quero ver o sorrisinho no rosto de vocês quando Bolsonaro começar a cumprir pena. Não sei se a Michelle vai sorrir na hora de fazer visita íntima. Afinal de contas, acho que ela deve estar dando graças a Deus de não ter mais que conviver com um sujeito asqueroso como aquele.” As palavras geraram indignação entre parlamentares da base bolsonarista.
Bia Kicis respondeu com ataques diretos à colega: “A deputada que me antecedeu tem que lavar essa boca suja dela antes de falar o que ela falou da nossa primeira-dama, Michelle Bolsonaro, presidente do PL Mulher Nacional. Que baixaria! Que vergonha!” Em tom ainda mais ríspido, a deputada classificou Sâmia como desprovida de “coração, humanidade” e reforçou o estado de saúde do ex-presidente, citando notícia sobre nova internação: “Bolsonaro acaba de ir novamente para o hospital… Está doente, muito doente por conta da facada lá de trás e dos maus-tratos, das perseguições absurdas, que ele está sofrendo.”
A parlamentar do PL encerrou sua fala evocando um futuro de punições e inversões de papéis: “Que esses deputados que ficam aqui clamando que vai haver impunidade… Nós vamos mandar prender os bandidos e soltar os perseguidos políticos”, afirmou Kicis, em tom de alerta político.
O episódio expõe, mais uma vez, o clima de polarização que marca o Congresso: ofensas pessoais, referências à vida íntima de figuras públicas e convocações a retaliações políticas compuseram o confronto. Para setores da direita, a reação de Kicis traduziu defesa da honra e da família política; para vozes de direita e esquerda críticas a Bolsonaro, a fala de Sâmia foi a expressão de escárnio justificado contra um político investigado e condenado em diferentes esferas.
A troca pública de ataques ressalta também o ambiente de baixa tolerância a provocações e à provocação por parte de parlamentares. A cena no plenário entra para a lista de episódios em que o confronto verbal entre deputados ultrapassa o debate institucional e adentra a disputa simbólica — com repercussões para a imagem das próprias lideranças e para o tom das discussões políticas no país.
