Em um dos anúncios mais duros da relação recente entre Washington e Brasília, o representante dos Estados Unidos para o comércio, Jamieson Greer, e o secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmaram que as tarifas de 50% aplicadas ao Brasil estão diretamente ligadas a preocupações com o Estado de Direito, censura e violações de direitos humanos no país. As declarações foram feitas na capital norte-americana, na véspera da reunião entre o chanceler Mauro Vieira, o secretário de Estado Marco Rubio e o próprio Greer.
Segundo Greer, as sobretaxas se dividem em duas partes: uma tarifa geral de 10%, imposta a todos os países, e uma adicional de 40%, exclusiva para o Brasil, aplicada por motivos políticos. Ele afirmou ainda que mais de 700 produtos brasileiros foram incluídos em uma lista de exceções, mas manteve o tom crítico ao justificar a decisão.
– “Há uma tarifa de 40% sobre o Brasil, que está em vigor sob uma emergência separada, relacionada a sérias preocupações com o Estado de Direito, censura e direitos humanos no Brasil. Um juiz brasileiro ordenou que empresas americanas censurem, emitindo ordens secretas para controlar o fluxo de informações” – declarou Greer, sem citar nomes, mas em referência velada ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
O secretário do Tesouro, Scott Bessent, reforçou o caráter político da medida e ampliou as críticas.
– “Há também preocupações com o tratamento de opositores políticos e com a detenção ilegal de cidadãos americanos que estavam no país” – afirmou, fazendo alusão a casos ligados a apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
As falas dos representantes norte-americanos elevam a tensão diplomática entre os dois países às vésperas do encontro de alto nível que ocorre nesta quinta-feira. O governo brasileiro ainda não se pronunciou oficialmente sobre as declarações, mas fontes diplomáticas indicam que o tema das tarifas e das acusações de censura dominará a pauta da reunião entre Mauro Vieira e autoridades americanas.
