Em meio à forte repercussão da megaoperação policial que deixou mais de 100 mortos nos complexos da Penha e do Alemão, o vice-presidente nacional do PT e prefeito de Maricá, Washington Quaquá, saiu em defesa das forças de segurança e provocou uma onda de reações dentro e fora do partido.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Quaquá afirmou que “ninguém enfrenta fuzil com beijinhos”, em referência direta aos confrontos com grupos armados durante a ação. O posicionamento surpreendeu parte da militância petista e marcou uma ruptura com a postura historicamente crítica do partido em relação a operações policiais de grande porte em áreas periféricas.
Embora tenha reconhecido falhas e possíveis excessos, o dirigente petista manteve firme seu apoio à operação. “A maioria dos mortos eram traficantes, portavam armamento pesado e estavam em confronto com as forças de segurança”, declarou. Para ele, o episódio, apesar de trágico, seria resultado de um embate inevitável entre o Estado e o crime organizado.
O tom adotado por Quaquá contrastou com o de entidades de direitos humanos e especialistas, que classificaram a ação como um massacre e pedem apuração independente para determinar se todas as vítimas tinham, de fato, ligação com o narcotráfico. Organizações internacionais também foram acionadas para acompanhar o caso.
A declaração do vice-presidente do PT adiciona uma nova camada à já intensa polarização sobre o tema da segurança pública. Além de tensionar os debates internos do partido, a fala de Quaquá reacende discussões sobre o rumo da política de segurança nacional e pode sinalizar uma reconfiguração de discursos no cenário eleitoral que se desenha para 2026.
A apuração é de Pedro Venceslau no CNN 360°.
