A França emitiu um forte alerta à gigante chinesa de comércio eletrônico Shein após a descoberta da venda de bonecas sexuais com aparência infantil em seu site. O ministro da Economia, Roland Lescure, afirmou nesta segunda-feira (3) que, em caso de reincidência, o país poderá proibir a atuação da plataforma em território francês.
“Quero ser muito claro: se esses comportamentos se repetirem, teremos o direito de solicitar que o acesso da plataforma Shein ao mercado francês seja proibido. É o que estabelece a lei”, declarou Lescure em entrevista à rede BFM e à rádio RMC.
O ministro explicou que o bloqueio total de uma plataforma é previsto em casos de terrorismo, tráfico de drogas ou disseminação de conteúdos de natureza pedófila, especialmente se os produtos ilegais não forem retirados em até 24 horas ou se houver repetição das infrações. Segundo ele, uma investigação já está em andamento para identificar como as bonecas foram disponibilizadas para venda.
A advertência veio após a Direção Geral da Concorrência, do Consumo e da Repressão das Fraudes (DGCCRF) detectar a comercialização das bonecas no site. Em comunicado, o órgão classificou o material como de “caráter claramente pedopornográfico”, considerando a descrição e categorização das peças no portal da Shein.
Em resposta, a empresa confirmou ter removido os produtos e assegurou que mantém uma política de “tolerância zero” para conteúdos ilegais. “Este tipo de conteúdo é totalmente inaceitável e vai contra tudo o que defendemos. Estamos tomando medidas corretivas imediatas e reforçando nossos controles internos para evitar que isso aconteça novamente”, afirmou a companhia, que também abriu uma investigação interna para apurar como os itens conseguiram driblar os mecanismos de controle.
O caso surge em um momento delicado para a marca, que se prepara para abrir sua primeira loja física em Paris, na tradicional loja de departamentos BHV. O anúncio da inauguração, prevista para 5 de novembro, já vinha gerando controvérsia e até motivou uma petição com mais de 100 mil assinaturas contrárias à instalação do empreendimento chinês na capital francesa.
*Com informações da Agência EFE
