Uma auditoria interna revelou uma falha constrangedora no sistema de segurança do Museu do Louvre, em Paris: a senha utilizada para acessar o sistema era “Louvre”. A descoberta veio à tona após o roubo das joias da coroa francesa, avaliado em cerca de R$ 500 milhões, ocorrido no mês passado.
De acordo com o jornal francês Libération, o relatório apontou que o museu utilizava softwares desatualizados, como o Windows Server 2003, que não recebe suporte técnico desde 2015. A Agência Nacional de Segurança Cibernética da França classificou a senha como “trivial” e criticou a falta de protocolos básicos de proteção digital em uma das instituições culturais mais importantes do mundo.
A investigação também revelou que, desde 2014, especialistas em segurança já alertavam para vulnerabilidades no sistema. Testes realizados ao longo dos anos mostraram que era possível invadir a rede do museu, manipular câmeras e acessar áreas restritas. O intenso fluxo de visitantes e as obras em andamento teriam contribuído para facilitar o trabalho dos criminosos.
A promotora Laure Beccuau, responsável pelo caso, afirmou à rádio Franceinfo que o roubo não foi cometido por criminosos profissionais. “Não se trata exatamente de delinquência comum, mas tampouco de crime organizado”, declarou.
Os quatro suspeitos presos, incluindo a namorada de um deles, não apresentavam histórico de crimes sofisticados. A imprensa francesa destacou ainda que, durante o assalto, os ladrões deixaram cair a coroa da Imperatriz Eugênia — a peça mais valiosa do acervo — e abandonaram tanto as ferramentas quanto o caminhão usado na fuga.
